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Este blogue inseriu o seu primeiro post a 09 de Janeiro de 2011, e hoje ultrapassou as 700

visitas, o que muito me satisfaz.Agradeço a todos os que por aqui passaram e espero

que este blogue possa ser permanentemente do vosso agrado.

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A CANÇÃO DO ADEUS

Deixa-me aquiE não te preocupes: não chorarei os nossos sonhos, nem mergulharei na densa tristeza que me causa a tua partida. Antes, recordarei os momentos felizes em que a tua presença coloria o mundo.
Porque não é sábio aquele que lastima o fim do caminho e esquece os dias felizes em que desfrutou da jornada. Ou amaldiçoa o fim da nascente cristalina, que por tanto tempo saciou a sua sede.
Vai em paz. E não te condoas dos sonhos que me levas, pois são os mesmos que um dia me trouxeste. Abençôo tê-los colhido das tuas mãos, bebido a luz dos teus olhos e ouvido a música da tua voz.
Que não te aflija o remorso. Porque nenhum mal me causaste, e jamais te agradecerei o suficiente, por todo o bem e toda a felicidade que trouxeste à minha vida.
É verdade que uma parte de mim se sente morrer, ao antecipar o vazio da tua ausência; entretanto, esta mesma parte jamais se sentiu tão viva, como quando estava a teu lado.
É doloroso, sim, sentir que se esvai a felicidade; todavia, mil vezes pior seria o não havê-la conhecido. Ainda que me fira a lâmina da saudade, o bálsamo das lembranças será o meu alívio.
Porque a tua recordação aquecerá as minhas noites. E não será o fantasma do teu corpo que acolherei em meus lençóis, mas a presença viva do amor que existia em nossas noites.
Eis que a planta não tenta deter o sol, ao sentir o vento frio do crepúsculo; aguarda, entretanto, a sua volta, para que à caricia dos seus raios possa mais uma vez oferecer as suas pétalas.
O moinho não tenta aprisionar o vento; apenas utiliza a sua passagem, para moer os grãos que são a sua razão de existir. E a saudade não mata o amor; apenas o torna presente na ausência.
Pudesse eu e pararia o tempo, naqueles dias em que juntos caminhávamos; em que era doce ver refletida nos teus olhos a mesma emoção que fazia brilhar os meus olhos.
De nada me serve, entretanto, implorar para que fiques. Como de nada adianta ao homem manter junto a si o cadáver do ser amado, que o tempo fará em breve decompor-se.
Aquele que se lamenta por um amor que se vai, é como o jardineiro que em pedras soterra o seu jardim, asfixiando as flores que cultivou e por tanto tempo perfumaram a sua vida.
Segue o teu caminho. E que não te preocupem as lágrimas que possam rolar por meu rosto; nelas não está a dor da saudade, nem a amargura de te haver perdido.
Mas a infinita alegria de te haver conhecido.

(gentilmente cedida pelo ARABE do blogue:

http://ohassan.blogspot.com

que convido a visitarem.)