Palavrinhas que tudo são.

Palavras, palavrinhas

Palavrinhas que me escapam por entre os dedos.São as mesmas que eu uso para te escrever

com o coração.São aquelas que fogem e se arrepiam só de te ver. São aquelas cor-de-amor

que estavam no postal que te enviei. São aquelas masoquistas e apaixonadas que estavam

presentes no primeiro dia em que te escrevi a dispor tudo. Palavrinhas essas que nunca me

abandonaram. Estão presentes todos os dias e recordam-me de ti. São palavrinhas

constituídas

com uma enorme concentração de amor e pensamento.

Palavrinhas que eu não entendo o porquê de existirem. Não podiam só ser daquelas que

se escreve sem sentir? Aquelas que explicam o “Era uma vez” e terminam com

o “Viveram felizes para sempre”? Palavrinhas que gostam de ser escritas no papel

amarelo e enviadas para a casa vermelha. A casa que por fora é linda e por dentro é

fenomenal. A casa do teu coração. Palavrinhas essas que mostram o meu amor por ti.

Palavrinhas essas que não despegam do teu brilho e palavrinhas que não acabam a não

ser que o tempo decida tirar o ponto dos “is”.

Tudo aquilo que eu escrevo tem um significado, todas as palavrinhas que te dedico têm

uma carga positiva e espero passar-ta mesmo que não a queiras receber.

Continuo a amar-te, mas a tinta está-se a acabar e não tenho dinheiro para comprar
outro carregador.

(este texto foi gentilmente cedido

por PAULO SILVA do blogue:

http://placedopaulo.blogspot.com

que convido a visitarem.)

SOPHIA ANDRESEN – poetisa portuguesa

A exposição de textos, fotografias e outros objectos com que aqui se evoca a vida e a obra de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) surgiu como um prolongamento natural da doação do espólio, pela sua família, à Biblioteca Nacional de Portugal, primeiro passo para a abertura do acesso de um público amplo a uma parte importante, de quase todos desconhecida, dessa vida e obra. A colecção mais volumosa do espólio é constituída por manuscritos de textos publicados e inéditos, de poesia e de prosa, inacabados ou em mais de uma versão, e por reflexões sobre poética ou sobre a experiência de escrever. [¿] Vale ainda a pena notar a relativa escassez de poemas inéditos, dos quais muitos não são mais do que esboços, inícios de qualquer coisa que não surgiu, ou até simples apontamentos de ideias. Sophia guardou muitas versões de trabalho, mas, para ela, o destino natural do poema acabado era a publicação. Se a poesia foi a sua maneira de viver, não a tratava como coisa sua. Escrevia para si e para o mundo.