UM DESEJO NO POENTE

No voo rasante e adejo da gaivota
Entre o vislumbre do meu pensamento

Na simplicidade daquele momento

Na imensidão do Mar, a minha rota

Incomensurável calma aparente

Se apodera de mim, e servilmente

Em minhas conjecturas, se denota

*

Esta visão persiste tão veemente

Tanta beleza, tanta se me afronta

Qual verso comedido ora desponta

Embalando meu sonho inerente.

Foram tantas vezes que voltei

Sempre ao mesmo lugar onde sonhei

Sentar-me á sombra de um verso coerente

*

Eis que um desejo débil, pertinente

Espargindo de leve um versejar

Delira levemente em meu olhar

Deixando-me postada docemente

O Ocaso, no horizonte debruava

Os reflexos de um poema, abraçava

Que o deu á luz o poeta, alegremente

*

No Arrebol onde o poeta delineava

Era tanta a beleza, o firmamento!

Quisera o poeta naquele momento

Parar a Terra tal qual desejava,

Fazer da guerra uma estática imagem

De neblina coberta, sem estiagem,

E de novo, o alvorecer ele pintava

*

Sonha o poeta…com olhar de fogo … reflexos do Ocaso…

Cecília Rodrigues

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