Décima

Se amor vive além da morte,

Eterno o meu há de ser;

Se amor dura  só na vida,

Hei de amar-te até morrer.

Glosa

Que um peito, Analia, sensível,
Desses teus olhos ferido
Não te caia aos pés rendido,
Me parece um impossível.
Antes só tenho por crível
Que todo a ti se transporte,
E te preste amor tão forte,
Em teu serviço jucundo,
Que te ame além do mundo,
Se amor vive além da morte.

Por essa força atrativa,
Que em ti pôs a natureza,
Minha alma d’antes ilesa
Já de ti se vê cativa.
De amor n’uma chama viva
O peito sinto-me arder;
E se posso hoje prever
Os sucessos do futuro,
Entre os fogos de amor puro
Eterno o meu há de ser.

Mais forte que o gordiano,
É o nó que a ti me prende;
Fica certa, que o não fende
Da morte o ferro tirano;
Por que trazer-te-hei de ufano
No fundo d’alma esculpida,
Ou ao nada reduzida
Deve ser a minha essência;
Que nego a sobrevivência,
Se amor dura só na vida.

Em ambas suposições
Não és de mim separada;
Que me estais amalgamada
Da mente nas sensações:
E pois modificações
Só por si não podem ser,
Hás de eterna em mim viver,
Se eu tenho uma alma imortal;
Ou, se ela é material,
Hei de amar-te até morrer.

 

 

(cedido por Marcílio Medeiros)

Autor: sinfoniaesol

Viver é o mais importante de tudo e se for com amizade, amor e saúde, que mais pedir?Viva a Vida!!!

4 opiniões sobre “Décima”

  1. Bom dia, Irene!
    Muito obrigado por sua visita.
    Sim, será uma honra para mim ter algum dos meus trabalhos pubicados no seu belo site.
    Aceite meu abraço,
    Carlos Morandi

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