Falar a uma só voz com um só dedo

Considero de muita utilidade lerem  este poema, que está inserido no blogue:

http://nimbypolis.blogspot.com

vão até lá que vale a pena.

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Porque após desnudados todos os desejos, o desvario,
temos a compulsão da fuga como a correnteza de um rio?
A gente se engana e não vê, que quem nos ama o faz
com o mel ou a pimenta, que o nosso tempero traz.
A capa que nos encobre, as vezes tão transparente,
desnuda a nossa alma e mostra que somos gente
Quando somos amados as vezes, não percebemos
e até nos mantemos fechados com medo de o recebermos.
E o amor é tão simples, gratuito, incondicional,
que o medo de nos expormos as vezes só nos faz mal
Porque, as vezes num átimo, o desnudar da alma
permite o ingresso, um balsamo, que traz de volta a calma
Podemos expor as fraquezas, cairmos em tentação,
satisfazer os desejos, numa enorme compulsão,
isso as vezes nos revigora, nos alimenta e renova,
e quem sabe é a nossa essência, que sempre nos põe a prova
Sujeito a altos e baixos, o nosso self mundano
as vezes nos encaminha a tudo que é profano
Não uso mascara, eu me exponho, me dou, me gosta prover,
acalento, apoio, estimulo, rego pra fazer crescer.
Ando na frente, cara limpa, as vezes abrindo caminho,
eu resguardo, protejo, eu aninho.
Também sei que num relacionamento,
tem que existir o mistério, pitada de insegurança,
a eterna conquista, um fomento
e para isso, as vezes é preciso abalar a confiança,
mostrar-se esquivo, distante, apenas por um momento.
Eu sei fazer isso…. porem não é mais minha vida,
hoje maduro, por certo, não quero saber dessa lida
. Eu não quero viver mentiras, frescuras, firulas e engodo.
Eu não quero fugir do que sou, de meus princípios, sem jogo.
Sei que o desejo quase sempre, busca o inalcançável,
o que nos provoca, nos instiga e também nos desafia.
Não quero ser mais o mistério, nem talvez o indecifrável,
me tornei um livro aberto, de muito fácil leitura .
Eu nasci para me dar, me gosto assim “in natura”
Desde que eu me sinta inteiro, bem amado, mui querido,
busco meu papel, meu lugar, me conheço, conferido.
Não pretendo ser metade , tento sempre ser certeiro
pra preservar a minha lucidez, continuo a ser inteiro
Cultivo, cevo, alimento, o amor que existe em mim,
buscando sempre ser dois e nunca uma simples mistura,
para que eu continue inteiro, vivendo na minha loucura.

(gentilmente cedido belo blogue:
http://butecodolufe.blogspot.com

que sugiro visitem.)

 

Como evitar uma depressão…

Quando dia após dia nos acontecem coisas desagradáveis…

Quando dia após dia tentamos “reparar os erros de outros”
e continuamente se ajuda a vários níveis, na esperança
de que as coisas se recomponham…

Quando sabendo a situação em que o país está, se alerta
para os mais jovens, de que a sua maior riqueza é o trabalho,
é ter um emprego…e esses conselhos não fazem efeito…

Quando se levou uma grande parte da vida a ajudar…e se
chega a um estado, em que tudo fica cada dia pior que o
anterior…

Quando se gosta dessas pessoas – mas se chega a um
desespero pela impotência…

Como evitar uma depressão?…. E que fazer com essas
pessoas?

Eu já não sei…algum psicólogo me ajuda?

Redução de Vencimentos

texto do Prof. Luis Menezes Leitão
Faculdade de Direito de Lisboa
Fico perfeitamente siderado quando vejo constitucionalistas a dizer que não há qualquer problema constitucional em decretar uma redução de salários na função pública. Obviamente que o facto de muitos dos visados por essa medida ficarem insolventes e, como se viu na Roménia, até ocorrerem suicídios, é apenas um pormenor sem importância. De facto, nessa perspectiva a Constituição tudo permite.

É perfeitamente constitucional confiscar sem indemnização os rendimentos das pessoas.

É igualmente constitucional o Estado decretar unilateralmente a extinção das suas obrigações apenas em relação a alguns dos seus credores, escolhendo naturalmente os mais frágeis. E finalmente é constitucional que as necessidades financeiras do Estado sejam cobertas aumentando os encargos apenas sobre uma categoria de cidadãos.

Tudo isto é de uma constitucionalidade cristalina. Resta acrescentar apenas que provavelmente se estará a falar, não da Constituição Portuguesa, mas da Constituição da Coreia do Norte.

É por isso que neste momento tenho vontade de recordar Marcello Caetano, não apenas o último Presidente do Conselho do Estado Novo, mas também o prestigiado fundador da escola de Direito Público de Lisboa. No seu Manual de Direito Administrativo, II, 1980, p. 759, deixou escrito que uma redução de vencimentos “importaria para o funcionário uma degradação ou baixa de posto que só se concebe como grave sanção penal”. Bem pode assim a Constituição de 1976 proclamar no seu preâmbulo que “o Movimento das Forças Armadas […) derrubou o regime fascista”.

Na perspectiva de alguns constitucionalistas, acabou por consagrar um regime constitucional que permite livremente atentar contra os direitos das pessoas de uma forma que repugnaria até ao último Presidente do Estado Novo.

Diz o povo que “atrás de mim virá quem de mim bom fará”.

Se no sítio onde estiver, Marcello Caetano pudesse olhar para o estado a que deixaram chegar o regime constitucional que o substituiu, não deixaria de rir a bom rir com a situação.