RECORDAÇÃO DE VELM – Maria da Fonseca

RECORDAÇÃO DE VELM – ÁUSTRIA

Quatro horas da manhã,

Já em Velm o Sol nasceu,

O cortinado vermelho

Agradou-se e não ‘scondeu.

A luz coada p’la teia

Entrou na vetusta sala.

As memórias de família

Raiadas de tons opala.

Afastei o cortinado.

A seara ondulava

Em movimentos suaves.

Uma nuvem o céu forrava.

A minha irmã me chamou

– Como é cedo! Vem dormir.

– Ouço os ruídos do campo,

Como vou eu conseguir?

Escuto a água da rega,

‘Stá distante a alvorada,

Imagino cada flor

A abrir-se, encantada!

Ao longe vislumbro ainda

A cultura de um cereal,

Não dourado como o trigo,

Todo verde por igual.

Quero encontrar o melro

Que ontem ‘stava no jardim.

Deste lado não o vejo,

Poderá cantar pra mim?!

Deleita os olhos e a alma

Esta seara dourada

Bailando ao sabor do vento.

Quero ficar acordada!

Maria da Fonseca

LISBOA/PORTUGAL

gentilmente cedido pela sua autora.

Sugiro uma visita ao seu blogue:

http://poesiadanatureza.blogspot.com

MULHER MADURA – Celito Medeiros

Cada vez mais rara
Independe da idade
70? 40ona?
16? 26? 36?
Talvez.
Ela é altiva sempre
Reconhece-se
Em pouco tempo
Muitas vezes
Num olhar
Não dá mole, pisa macio
Seu olhar é de águia
Sabe o que quer
Sabe quem quer
Se não está casada
Não está apressada.
Se casada, ama e é amada.
Separada e outros afins
Separou as coisas ruins…
Não é promíscua.
Escolhe o que comer.
É fruta temporona.
Delicada e fera.
Alguém sempre
À espera!