O INSETO gentilmente cedido por ADELINA VELHA DA PALMA(Soneto satírico)

Teus olhos são ocelos de mosquito

talhados em poligonos cruéis,

tuas pernas, finas como cordéis

sustentam um enfezado corpito!…

 

Contudo, supões-te muito bonito

– o mais belo de todos os donzéis,

nem vês que de entre todos os papéis

o teu é o mais tolo e esquisito!…

 

Malgrado a tua dimensão franzina,

graças à carapaça de quitina

manténs uma estrutura das mais toscas…

 

Mas não és digno duma carabina!…

Hás-de morrer da forma mais cretina

calcado sob um reles mata-moscas!…

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A COR

Sabes de que cor se veste a esperança?
Veste-se da cor do universo contida nos teus olhos quando
despertas junto a mim e me abraças em silêncio.
Sabes de que cor veste a esperança?
Veste-se do teu sorriso puro quando passas teus dedos por
entre os meus longos cabelos.
Veste-se das palavras que nossos olhares trocam num espaço
e num tempo, que mais ninguém conhece e que é só nosso…
Sabes de que cor se veste a esperança?
Veste-se do orvalho que rasga meu corpo de tanto te amar,
de tanto te querer…
Veste-se de melodias só nossas, veste-se de cada novo amanhecer
coroado de vida…
Sabes de que cor se veste a esperança?
Veste-se do sabor do teu corpo pronto na entrega e do meu
deixar-me conter em ti.

Escrito por BlueShell

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Por Amor à Palavra gentilmente cedido por SANDRA FONSECA

Estou na
Antecâmara
Da palavra
Estou na véspera
Desse verso vago
Que me invade
Sem ter pressa.
Num labirinto
Sem saída
Persegue-me.
Estou no segundo
Antes
Da palavra,
Estou no prenúncio
Desse grito
Que me grita
Inteira
E pelo meio
Me devora
Numa solicitude calma.

Estou no pretérito
No ontem
Da palavra.
Estou no âmago
Dessa palavra que me ama
De um amor sem saída
Que se vive, fere
A minha liberdade.
A palavra me ama
Com ganas
De morte.

Sandra Fonseca

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Por Anais Nin


Escrevo tal a necessidade vital
Que a experiência traduz
Escrevo,
Preciso,
Tal como o mar precisa
Da tempestade
E o escuro
Da luz.
Reluz
O ouro da palavra
Na busca incessante
Do maravilhoso
Do infinito que toca
O espaço,
As coisas.
Dão-me febre
As palavras,
Iluminação,
Graça.´
E quando essa música
Para na minha cabeça,
Então remendo meias,
Colho frutos,
Mas, sinto
Que não vivo.