O FORJADOR DE BORBOLETAS – cedido por Janaina Cruz

Abandonou aquela antiga expressão de sonhador risonho e lírico.
Pintou no rosto uma boca triste.
Quem sabe assim não estaria agora livre?

Tantas vezes a canção da vida lhe feriu os tímpanos, os sorrisos, os sussurros, até mesmo o amor…

Queria apenas paz! Chegou a dizer isso aos seus amigos.

A paz transformada em borboletas de papel, azuis, vermelhas, amarelas, todas chegariam até o céu. Anelava -lhes entre os dedos, emprestava -lhes ao vento amigo, antigo… Tão antigo quanto os nomes e telefones.

Do desejo herdou o gosto de metal na boca , a dor fazia-o urrar como um animal.
A remota ideia de que a dor lhe fosse eterna, arredondava -lhe as palavras, que sangravam a ermo, sem sujeito e sem ação.
Ah! Mas como o céu está bonito…
Esse vai e vem ritmado de lembranças, misturando tudo, fazendo tudo ficar desequilibrado, como fazem as borboletas lá no céu, quando perdem o impulso de voar…
Mágicas e pacíficas tesouras que ferem o papel, mas acalmam o forjador de borboletas.

Janaina Cruz

(sugiro uma visita ao seu blogue:
http://esferografia.blogspot.com)