CANÇÃO DA VIDA

CANÇÃO DA VIDA
Célia Laborne

Acordei hoje leve e orvalhada, vestida de sol; e assim, falo-te como se já conhecesse a Canção da Vida, como se penetrasse a transparência do lago. Permaneci imóvel, para prosseguir nas buscas mais profundas num interior onde, lentamente, aflora a primeira luz. Não o esplendor da luz, mas o primeiro raio…
As palavras brotam hoje como sementes rompendo a terra dura, quebrando limites e antigos muros de velhas incredulidades, de ancestrais heranças, de coletivos acúmulos de idéias.
É que o sol que chega, por isso, abrem-se os caminhos ensolarados, o solo do encontro, as nascentes muito claras, para que ninguém se perca na noite.
Breve flor de secular reencontro, transformo-me para dar-te um sinal visível, além das portas fechadas e dos biombos escuros. Falo-te agora do sopro suave da flauta mágica, música que por vezes quebra o silêncio e canta o simbolismo da eternidade, do som manifestado.
Sob o comando de vibrações muito rápidas pode-se facilmente contemplar a vida que nos foi dada viver, os caminhos percorridos, as flores perdidas, as sementes encontradas.
Devo dizer-te que vai nesse encantamento, um envolvimento ainda não de todo claro, não de todo definido e assimilado ou desvendado. Há sempre um tempo de espera para que se firmem as conquistas mais sutis, as vitórias mais elevadas…
Todas as linguagens parecem estrangeiras para se traduzirem os momentos interiores do despertar, as vidências da luz; e a missão do intérprete dessas belezas é sempre difícil e incompleta.
Até que tu e cada um dos nossos se integrem na consciência cósmica, por certo muitas luas vão passar ainda, mas o roteiro está marcado e assinalado.
Harmonia e Paz estão desenhadas no éter à espera da transmutação de cada coração, da expansão de cada consciência. Mas, por mais fortes que sejam os desenhos poucos elevam os olhos para percebê-los, pouquíssimos estão definitivamente aptos ao convívio com as estrelas mais brilhantes.
Por isso digo-te, ainda não te apegues aos destroços, não sejas náufrago entre idéias antigas e semimortas. Tem coragem de entrar pela porta das grandezas e, por isso, sê simples, muito simples.