RASTRO DE LUZ – Célia Laborne

Quando a noite veio
encontrou flores novas
germinadas no dia de luz.

Não poude matá-las
com sua frieza e tédio.

Quando a realidade
cingiu o corpo branco
com seus braços de terra,
os olhos ainda brilhavam
cheios da pureza das tardes.

A pele perfumada
trazia os poros húmidos
do orvalho das manhãs.

Onde os sonhos passaram
ficou um rastro luminoso
inquietando os descrentes