Passos Mansos – Célia Laborne


 

Tenho medo de ti,

de teus olhos – negros como a noite –

que cantam baladas

e que prometem flores.

Tenho medo de ti,

de teus passos mansos

buscando o meu caminho.

Não venhas à minha porta

para seguir depois,

porque cobrirei de lágrimas

as lembranças que deixares.

Tenho medo de ti,

e outra vez te busco

entre soluço e riso.

E outra vez te espero

na estrada escura

de onde o luar fugiu.