QUEM SOU – Célia Laborne

Nesse corpo de barro
na vida cheguei
o vento me viu
e me deu o seu sopro.

Meus olhos nascendo,
teus olhos buscaram
e só nesse instante
se abriram, vivendo.

Aos passos retorno,
procuro-te, não estás
teu caminho vazio
enrijece meu corpo.

E volto ao barro
onde fui esculpida.
O vento me deixa
– sou pedra sem vida?
Não.

Sou vida perene
perdida por ti
sou semente criada
para a luz refletir.