José Rodrigues Dias teve a gentileza de me ceder uma poesia sua, o que muito agradeço

JOSÉ RODRIGUES DIAS

1951-Talhas-Macedo de Cavaleiros
Aprendiz de poeta.Professor Emérito
da Universidade de Évora(2011)
Agregado em Estatística(2001)
Intel Processor Integrator(1996)
Doutor em Matemática(1987)
Engenheiro 1975

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EM DERIVA TÃO ANTIGA

Não sei que gente é a nossa
E que terra é esta.
Por vezes,
Penso que vamos a caminho do purgatório,
Expiando culpas;
Outras,
A caminho de mais inferno,
Por mais pecados sem desculpas …

Alguns,
Falam de céu …

Eu,
Perdido …

Que terra é esta
E que gente somos
Em deriva tão antiga?! …

José Rodrigues Dias, 2012-04-20

sugiro uma visita ao seu blogue(Traçados Sobre Nós)
http://joserodriguesdias.blogspot.com

TÃO DIFERENTE – Maria Luisa Adães(gentilmente cedido)

Tudo tão diferente
Do que conheço
Tudo tão diferente…

Atirei a rede ao mar
E minha rede trouxe
Outras coisas do mar.

Tudo tão diferente…

A lua veio espreitar
Eu olhei essa lua
Diferente da lua do meu lugar.

Uma lua maior
Se espraiou no ar
Pintada de laranja e vermelho.

Tão diferente…

Ela atirava um outro luar
Me mostrava outras estrelas
E pareciam as mesmas estrelas.

E não eram
As mesmas estrelas.

Que encanto!

Há outra lua
Outras estrelas
Outro lugar
E outro mar.

Eu não sabia,
Mas o poeta não pode
Parar de olhar.

Mas pode morrer
Longe do seu lar…

Maria Luísa

sugiro uma visita ao seu blogue:

http://os7degraus.blogspot.com

Mais um Post com peças de MA Ferreira e poema de Alda Lara,devidamente cedidos por MA Ferreira(a quem muito agradeço)

MA Ferreira trabalhou estas peças de cerâmica utilizando argilo tabaco.
Depois queimou em alta temperatura 1.140 graus.

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AS BELAS MENINAS PARDAS

As belas meninas pardas
são belas como as demais.
Iguais por serem meninas,
pardas por serem iguais.

Olham com olhos no chão.
Falam com falas macias.
Não são alegres nem tristes.
São apenas como são
todos dos dias.

E as belas meninas pardas,
estudam muito, muitos anos.
Só estudam muito. Mais nada.
Que o resto, trás desenganos.

Sabem muito escolarmente.
Sabem pouco humanamente.

Nos passeios de domingo,
andam sempre bem trabajadas.
Direitinhas. Aprumadas.
Não conhecem o sabor que tem uma gargalhada
(Parece mal rir na rua!…)

E nunca viram a lua,
debruçada sobre o rio,
às duas da madrugada.

Sabem muito escolarmente.
Sabem pouco humanamente.

E desejam, sobretudo, um casamento decente…

O mais, são histórias perdidas…
Pois que importam outras vidas?…
outras raças?… , outros mundos?…
que importam outras meninas,
felizes, ou desgraçadas?!…

As belas meninas pardas,
dão boas mães de família,
e merecem ser estimadas…

Alda Lara

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Alguns dados sobre:

ALDA LARA
(1930-1962)
Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque nasceu em Benguela, Angola, no dia 9 de junho de 1930. Viveu em Lisboa desde a adolescência, onde concluiu o liceu e frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e de Coimbra (onde licenciou-se). Exerceu influência na renovação da poesia angolana, com seu comprometimento com a luta pela independência.

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br

A fonte de Alda Lara está no início deste blogue

sugiro uma visita ao blogue de MA Ferreira:
http://mdfbf.blogspot.com

Enrico Carrapatoso – A morte de Luís II da Baviera

A MORTE
“No meu império
O amor não cansa,
porque sofra por ter;
nem dói,
porque canse
de nunca ter tido.

A minha mão
pousa de leve
nos cabelos dos que pensam,
e eles esquecem;

Contra o meu seio se encostam
os que em vão esperavam,
e eles enfim confiam.
Dos meus lábios mudos
não vem canto como o das sereias,
nem melodia como a das árvores e das fontes.
Mas o meu silêncio acolhe
Como uma música indecisa
O meu sossego afaga
Como o torpor de uma brisa.”

“No meu domínio,
onde só a noite reina,
terás a consolação,
porque não terás a esperança;
terás o esquecimento,
porque não terás o desejo
terás o repouso,
porque não terás a vida.

“Bebe da minha taça,
que não se esgota,
o néctar supremo
que não enjoa nem amarga,
que não desgosta nem enebria.
Contempla, da janela do meu castelo,
não o luar e o mar,
que são coisas belas e por isso imperfeitas;
mas a noite vasta e materna,
o esplendor indiviso do abismo profundo!”

“Serei tua esposa materna,
tua irmã gémea encontrada.
E casadas comigo todas as tuas angústias,
tu próprio te perderás
em minha substância mística,
na minha existência negada,
no meu seio onde as coisas se apagam,
no meu seio onde as almas se abismam,
no meu seio onde os deuses se desvanecem.”

A PROVIDÊNCIA:
“Senhor Rei do Desapego e da Renúncia,
Imperador da Morte e do Naufrágio,
sonho vivo errando,
faustoso,
entre as ruínas e as estradas do mundo!
Senhor Rei da Desesperança entre pompas,
dono doloroso dos palácios
que o não satisfazem,
mestre dos cortejos e dos aparatos
que não conseguem apagar a vida!…

Senhor Rei Pastor das Vigílias,
cavaleiro andante das Angústias,
sem glória e sem dama
ao luar das estradas,
senhor nas florestas,
nas escarpas,
perfil mudo, de viseira caída.
Senhor Rei que a Morte sagrou Seu,
que a Morte sagrou Seu.”

O CORO:
“Trazei, pajens;
trazei, trazei, virgens;
trazei, servos e servas,
as taças,
as salvas
e as grinaldas
para o festim.
Trazei-as e vinde de negro,
com a cabeça coroada de mirtos.”

A PROVIDÊNCIA
“A morte é o triunfo da Vida!”

A PROVIDÊNCIA E O CORO
A morte é o triunfo da Vida,
A morte é o triunfo da Vida!”

O CORO
“Pela Morte vivemos
quando sonhamos,
porque sonhar é negar a vida.

A Morte nos guia,
A Morte nos busca,
A Morte nos acompanha.”

A PROVIDÊNCIA E CORO
“Teu amor pelas coisas sonhadas
era o teu desprezo pelas coisas vividas.”

O CORO
Rei-Virgem que desprezaste o amor,
Rei-Sombra que desdenhaste a luz,
Rei-Sonho que não quiseste a vida!

A PROVIDÊNCIA E O CORO
Entre o estrépito surdo de címbalos
Entre o estrépito surdo de atabales,
a Sombra te aclama Imperador!

FIM

Angélica Neto (Morte), Elsa Cortez (Providência), Coro Ricercare (dir. Pedro Teixeira), Sinfonietta de Lisboa, dir. Vasco Azevedo | Sobre texto de Bernardo Soares (Livro do desassossego), libreto de João Botelho, encomenda de ARDEFILMES para “O Filme do Desassossego” de João Botelho | Gravado no Convento dos Dominicanos, Lisboa, 27.11.2010 (captação sonora de Carlos Marecos)

Carrapatoso Luís II da Baviera Bernardo Soares João Botelho Desassossego

à minha amiga Maria Helena (há cerca de 45 anos) que nasceu e vive no Porto

Conheci a minha amiga Maria Helena há mais de 45 anos, éramos muito jovens, ela natural do Porto e a viver no Porto e eu natural do concelho da Moita e a viver no mesmo.A nossa amizade mantém-se até hoje, apesar dos quilómetros que nos separam.Quando a nossa
amizade começou só podíamos contactar por carta ou telefone. Não havia ainda a Internet.

Depois conheci outras pessoas do Porto, e felizmente hoje também tenho amigas/os da Net que são do Porto ou vivem no Porto.

Portanto apesar de ser do Sul, eu gosto do Porto, e das muitas vezes que lá tenho ido há sempre motivo de gostar da cidade.

Por tudo isso, faço aqui uma pequena homenagem às pessoas do Porto, com a ajuda do meu amigo Gabriel Silva
do blogue http://portoantigo.org explicando a origem da esculta (aqui inserida)”Homem do Leme”.

“Escultura de homenagem aos pescadores de autoria do escultor Américo Gomes, na Avenida de Montevideu,

realizada por encomenda de Henrique Galvão, comissário da “Exposição Colonial Portuguesa”, durante a qual

foi exposta em modelo de gesso, obtendo grande sucesso junto do público.

Após a Exposição (que decorreu entre 16 de Junho e 30 de Setembro de 1934 nos Jardins do Palácio de Cristal),

foi criada uma “Comissão para o levantamento na Foz do Douro da Escultura o Homem do Leme” composta

por várias personalidades a fim de patrocionarem a   feitura em bronze da escultura, o que ocorreu em 1937,

nas oficinas de Bernardino Inácio, decidindo a Câmara Municipal do Porto a sua colocação  na Avenida

de Montevideu em 1938.

O molde original em gesso foi entregue ao Museu Marítimo de Ílhavo. Refira-se ainda que tal escultura

dá nome e simboliza a “revista dos Lions Clube de Ílhavo”.

Fotografia da Escultura: Dias dos Reis

cedido gentilmente por GABRIEL SILVA

a quem muito agradeço

O Mago – Célia Laborne

foto gentilmente cedida por Pedro SuarezOntem, à luz da lua te reconheci
içado ao mastro do meu espanto
duvidando, talvez das estrelas.

Metade pássaro, metade astro
dissolves o passado e o presente
simultaneamente
para mostrar-me o teu poder e me reter.

Depois, tu me devolves um dia rubro
como se as rosas houvessem
se incendiado, espontaneamente
e meu espanto chama por ti, inutilmente.

Mas deve haver; talvez no mar
o sal da minha salvação.
Pois há dias em que me dás
de uma só vez
o azul do céu e a luz-revelação.

Então, outra vez te reconheço
e outra vez me encontro
percebendo tua magia
aqui no coração.

Um poema de Ana Luisa Amaral sobre o 25 de Abril, à memória de Miguel Porta(25-04-2012)

tão novo de morrer,
quase morrido

Tem vindo a ser matado

por sorrisos e cega obediência,

por sustos assustados,

ou simplesmente por não ser presente

e ter sido esquecido

na cave desta casa

Nela nasceu erguido

entre o mais desatado e o mais belo de ser:

tanques e cravos, e casos curiosos raso a mitos,

e sérios casos de paixão a sério,

e também carne e vida,

o que de mais importa neste mundo

Repousar é de morto, e ele terá morrido:

sem exéquias sequer,

só de mentira,

está o seu corpo muito lá em baixo,

como se fosse um peso que já não:

Nem mesmo incomodar

os números que voam, desatados,

os bárbaros que uivando sobrevoam

o telhado da casa

e nele pousam, cruéis e confortáveis,

repousam dos seus rumos de conquista

Tão novo de morrer,

morrido quase

Quem as exéquias suas?

Não há mural que o ressuscite aqui?

Ou chamamento novo que o congregue

de novo e em colisão

nestas janelas?

Dos que ao seu lado viveram lado a lado,

desses o susto bom de ele nascer,

e a desobediência ao erro e ao dobrado

Dos que depois nasceram:

a memória,

talvez da sua mão, ou mãe: memória,

o que de mais importa neste mundo

Que esses possam dizer que não,

que ainda vive,

que é novo de morrer e ainda vive,

e que o seu funeral: coisa sem rumo

Mesmo que chova hoje, como chove,

e as nuvens se perfilem junto aos uivos,

mesmo assim pressenti-lo

Teimar que é impossível

morrer assim tão novo

Saber

que isto não pode ser assim

Ana Luísa Amaral

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O velório do eurodeputado bloquista terá lugar no Palácio Galveias(Lisboa) este sábado,

a partir das 15 h. No domingo realiza-se uma sessão evocativa de Miguel Portas

no Jardim de Inverno no Teatro S. Luiz, com início às 14.30h.