O subterrâneo de Dostoiévski

O subterrâneo de Dostoiévski

por Mariana Keller em 10 de abr de 2012 às 06:56

Ele colocou a própria vida nos livros. Viveu numa Rússia Czarista de autoridades sem limite, enfrentou os obstáculos da epilepsia e de uma infância traumática, mas foi exatamente por toda a sua trajetória que Fiódor Dostoiévski desvendou a alma humana como nenhum outro escritor jamais conseguiu.

A vida de Fiódor Dostoiévski por si só já daria um livro tão bom quanto os escritos por ele. Os problemas familiares, o espírito revolucionário durante a juventude, o tempo em que ficou preso, a epilepsia, o vício em jogos, a descoberta da fé. São muitos os acontecimentos que marcaram a vida do escritor russo e que influenciaram muito suas obras.

Nasceu em São Petersburgo em 1821. Teve uma infância humilde, perdeu a mãe muito cedo e o pai foi assassinado pelos próprios criados devido as suas atitudes violentas causadas pela bebida. Foi quando soube deste fato, que Dostoievski, com apenas 17 anos, sofreu sua primeira crise de epilepsia. Estudou engenharia e sua primeira produção literária foi tardia, com 23 anos.

Em 1849, foi condenado à morte por participar de um grupo socialista durante o regime czarista. No último momento, quando estava prestes a morrer, sua pena foi trocada por quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria. Essa experiência foi tão marcante na vida do escritor, que o fez firmar os laços com a religião e a fé. Inspirado pelo cristianismo passou a pregar a solidariedade como seu principal valor.

Grande parte do que é relatado nos livros foi vivido pelo próprio autor. Em “Recordação da Casa dos Mortos”, ele transforma em ficção o tempo em que passou na cadeia através de um personagem que narra a dura rotina de se viver encarcerado. Em “O Jogador”, outra particularidade da sua vida também é exposta, a paixão pelos jogos. O livro conta a história de um jovem íntegro, mas sem muitos objetivos na vida e que faz dos jogos uma maneira de ganhar dinheiro.

Dostoiévski era completamente fascinado pelos jogos de roleta. Atormentado pela vida que levava, por todos os conflitos internos e pelos transtornos causados pela epilepsia, os jogos serviam como válvula de escape de sua própria mente. Além disso, a busca por lucro também se tornou uma obsessão.

Ainda em “O Jogador”, ele retrata sua paixão pela estudante Polina Suslova, com quem teve caso amoroso durante seu casamento conturbado com Maria Dmitrievna Issaiev. Em 1864, quando Maria faleceu, ele acabou terminando com Polina e três anos depois casou-se com a estenógrafa Anna Snitkina, que, inclusive, o ajudou a cumprir o prazo de entrega do livro em questão quando Dostoiévski estava afogado em dívidas.

Mas o livro considerado a obra prima de todo o seu trabalho é “Irmãos Karamazov”. Escrito em 1879 e tido como um resumo de toda a sua obra, ele narra a vida da família Karamazov com foco em Dimitri, que é acusado de parricídio. Vemos aí novamente um tom biográfico, já que a relação do escritor com o pai nunca foi das melhores.

O livro se tornou um dos mais importantes da literatura mundial e foi destacado por Sigmund Freud como um dos três mais importantes livros a respeito do embate entre pai e filho ao lado de “Hamlet” e “Édipo Rei”. Além disso, o pai da psicanálise também fez um estudo baseado nas obras do russo chamado “Dostoiévski e o Parricídio”.

E muitos admiraram e se influenciaram pela obra de Dostoiévski. Hermann Hesse, Marcel Proust, Albert Camus, Fraz Kafka, Gabriel Garcia Marques, Clarice Lispector, Ernest Hemingway, Nietzsche, entre outros. Até mesmo no cinema essa influência pode ser vista. O filme “Match Point” de Woody Allen, por exemplo, é visto como a versão contemporânea do livro “Crime e Castigo”. Além disso, o livro “Memórias do Subsolo” é considerado o precursor do existencialismo.

A Rússia do caos, o pecado, a redenção, a solidão, tudo isso é retratado nas obras do autor. Seus personagens vivem em uma crise contínua e estão sempre divididos entre o bem e o mal. Os protagonistas são geralmente criminais, doentes, angustiados e que, de certa forma, sentem prazer em sua própria decadência. Tudo reflexo da própria alma do autor. Assim, Dostoiévski só prova a teoria de que o sofrimento é mesmo uma das fórmulas para se tornar um bom escritor.

(Fonte:Obvious)

FERNANDA DE CASTRO

1919 – Antemanhã, com capa de Cottinelli Telmo. Lisboa

1921 – Danças de Roda, com capa de Cottinelli Telmo. Lisboa.

1924 – Cidade em Flor, com capa de Bernardo Marques. Lisboa

1924 – Varinha de Condão, em colaboração com Teresa Leitão de Barros, com capa de Maria Roque Gameiro e ilustrações de Elsa Althousse, Cottinelli Telmo, Rocha Vieira, Raquel Roque Gameiro, Stuart Carvalhais e Martins Barata. Lisboa.

1925 – Mariazinha em África, com capa e ilustrações de Sarah Afonso (1ª edição), Lisboa, Empresa Literária Fluminense Limitada..

1928 – Jardim, com capa de Bernardo Marques. Lisboa.

1928 – O Veneno do Sol. Lisboa (1ª edição).

1929 – O Veneno do Sol. Lisboa (2ª edição).

1929 – As Aventuras de Mariasinha, com ilustrações de Sarah Affonso. Lisboa.

1932 – O Tesouro da Casa Amarela – Teatro Infantil, com ilustrações de Sarah Affonso. Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, edições Diário de Notícias.

1935 – Daquém e Dalém Alma. Lisboa, Editorial Império.

1942 – 39 Poemas. Lisboa, edições Ocidente, editorial Império.

1942 – A Pedra no Lago. Lisboa, Editorial Império.

1947 – Mariazinha em África, com capa e ilustrações de Ofélia Marques. Lisboa, edições Ática.

1948 – Sorte, com capa de Inês Guerreiro. Lisboa, edição da revista Ocidente, 2º Prémio «Casas do Povo».

1952 – Exílio – Poemas. Lisboa, Livraria Bertrand.

1955 – Asa no Espaço. Lisboa, edições Ática, Colecção Poesia.

1956 – Raiz Funda. Lisboa, Edições Bertrand.

1959 – Mariazinha em África, com capa e ilustrações de Ofélia Marques. Lisboa, edições Ática.

1959 – Novas Aventuras de Mariazinha, com capa e ilustrações de Vivianne. Lisboa, edições Ática.

1960 – Maria da Lua, (Prémio Ricardo Malheiros, da Academia de Ciências de Lisboa, 1945). Porto, Editores Tavares Martins (1ª edição).

1963 – A Ilha da Grande Solidão, com vinheta da capa de João da Câmara Leme. Lisboa, Portugália Editora.

1963 – A Princesa dos Sete Castelos, com ilustrações de Inês Guerreiro. Lisboa.

1964 – A Vida Maravilhosa das Plantas, com capa e ilustrações de Inês Guerreiro. Lisboa.

citação:

Para uma senhora da melhor sociedade era de bom tom ter poucos vestidos. Mulher que andasse a variar, ou era nova-rica ou «senhora alegre», como se dizia
Tenho uma vida muito comprida. Vivi a primeira guerra mundial, a guerra de Espanha, a segunda guerra, e depois a guerra colonial. Tudo no meu tempo: quatro guerras. Só isso dá uma vivência extraordinária.
Aos meus filhos, por amor dos quais teimo em viver
Aos meus amigos e aos meus leitores por amor dos quais temo em escrever
Dedicatória de 70 Anos de Poesia

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em 2009 e tem como objectivos o apoio à investigação e o estudo e
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