O MAGO – Célia Laborne

Ontem, à luz da lua te reconheci

içado ao mastro do meu

espanto

duvidando, talvez das estrelas.

Metade pássaro, metade astro

dissolves o passado e o presente

simultaneamente

para mostrar-me o teu poder e me reter.

Depois, tu me devolves um dia rubro

como se as rosas houvessem

se incendiado, espontaneamente

e meu espanto chama por ti, inutilmente.

Mas deve haver; talvez no mar

o sal da minha salvação.

Pois há dias em que me dás

de uma só vez

o azul do céu e a luz-revelação.

Então, outra vez te reconheço

e outra vez me encontro

percebendo tua magia

aqui no coração.