a Bernardo Sassetti

revisito.te em dó no rescaldo de uma breve nota
arrefecida sobre o piano
– é íntima a voz do adeus!
mãos ágeis acariciam.no e ele aberto à passagem
acompanha o en tard’ser lento de uma rosa que
preguiçosa segura a partitura sustentada por um
monólogo solar
uma espécie de começo imaginado em slow.motion
acompanha o filme e não a vida num sonho a solo ou
a várias mãos onde o génio solitário esmoreceu num
encontro com o mar
-não é tempo de partir!
mas partiste seguindo ( quiçá ) une petite lumière onde
o vermelho do teu sangue passa a reescrever.se a um
outro ritmo
-o das marés de fogo!
o velho piano de vísceras laceradas pela espera
arrefece o luto brando

um improviso agrilhoado

10 de maio de 2012

gentilmente cedido por: gabriela rocha martins
do blogue: http://cantochao.blogspot.pt

 

O Fotógrafo de Sigmund Freud

O livro “Berggasse 19” reúne retratos da intimidade de Freud, como uma crónica
de seu cotidiano.
As fotografias fazem parte de um livro que também contém as memórias de Engelman. O que de início, era para ser apenas um registro visual dos locais que seria deixada para trás por conta da ocupação nazista, tornou-se o principal arquivo documental da vida do que veio a ser o grande mestre, e um dos maiores pensadores de todos os tempos. A psicanálise que até então era vista como uma ciência renegada pela cultura vitoriana, foi disseminada a partir da metade do séc XX, como já havia previsto Freud, golpeou o narcisismo da modernidade, ipondo o seu lugar de reflexão nas ciências humanas de forma densa e decisiva.
As fotografia feitas por Edmund, carregam a tensão promissora da grande descoberta em seu ambiente inicial. Trazem também um gosto de incerteza e uma visão sombria, onde Freud após anos de experiências analíticas ouvindo as dores, angústias, fantasias e desejos no mais íntimo do humano, lutava contra um câncer, e via sua vida se desfazer pelos dias que seguiam à sua frente.
Fonte: Obvious
em fotografia: Victor Silveira