Mais um Fotógrafo de que gosto e que me cedeu algumas das suas fotos: MANUEL VARZIM

Já tenho referido neste blogue que gosto muito do Porto, que considero que é uma cidade que os

portugueses deviam conhecer(aqueles que ainda não o tenham feito) e para o mês que vem há

as Festas de S. João que é um momento de confraternização entre as pessoas, com música,

sardinhas assadas e fogo de artifício. Mas o Porto tem muitos pontos de interesse, que seria

impossível num simples post referir, daí apenas um pouquinho para despertar o interesse:

Zona da Ribeira

Foz

Parque da Cidade

Casa da Música

Igreja dos Cléricos

Pavilhão Rosa Mota

Como podem apreciar por estas quatro fotografias MANUEL VARZIM é um excelente fotógrafo.Natural

do Porto e despertou para a fotografia com apenas 15 anos. A qualidade dos seus trabalhos,

ajuda imenso a divulgar o nosso país.

Sugiro uma visita ao seu site onde podem conhecer mais trabalhos seus.

www.wix.com/mvarzim/fotografia

(Agradeço imenso a gentileza de Manuel Varzim

em me ceder estas fotos gratuitamente.)

Irene Alves

APELO AO INVENTOR – Célia Laborne

 

 

 

Já inventaram o trem, o avião, matéria-plástica e bomba atômica. Até celular, que de inventores, felizmente o mundo anda cheio.

 

A imaginação humana é incansável e copiosa. Despontam descobridores entre homens de ciência, entre mecânicos, químicos e artistas, figurinistas e físicos. Já se criou tanta coisa nova, boa ou má, que estatística alguma poderia enumerá-las.

 

Mas, convoca-se hoje, um técnico moderno e muito aperfeiçoado, um homem capaz de redescobrir. Sim.

 

– Quem quer inventar agora um silêncio sólido e confortante? Igual àquele silêncio antigo e amplo que, aos poucos, vai se tornando lenda?

 

Quem pode devolver o sossego à cidade da máquina e do torvelinho? Ao solo do trator e ao espaço do avião? Já transpuseram a velocidade do som mas quem o deterá?

 

De repente, a gente precisa muito do silêncio e não o encontra. Procura-se, indaga-se, mas tudo inútil. Grita-se por ele, faz-se um chamado, um convite, sempre em vão. Vai se comprá-lo, ninguém o vende.

 

– Que fizeram dele? Quem o levou?

 

Perdemos o carinho pelo silêncio e ele vinga-se furiosamente de todos os lados. Cada máquina moderna cobrou dele o seu preço.

 

Hoje, só o barulho anda solto, faz comício e ganha posto. Não o expulsam; pelo contrário, fizeram-no dono do mundo. Ele vem do martelo, do trator escandaloso construindo um prédio, corre maluco acompanhando os automóveis e motocicletas. Grita nas esquinas, brinca com as crianças, invadindo céus e terra. Faz ponto na cidade, no vizinho, na nossa casa. Entrou nas fábricas e nos auto-falantes, é chefe das ruas e das praças. Não nos deixou refúgio algum.

 

Até na música ele vai fazendo suas incursões as vezes perigosas, as vezes descaradas. Vem de sirenes policiais.

 

Suplantado, o silêncio retraiu-se. Procurou o interior, virou caboclo, passou de moda. Está agora escondido nos vales, encabulado, espezinhado, arredio.

 

Por isso é justo que se pergunte:

 

– Quem quer inventar um silêncio forte e gigantesco, que resista a tudo?

 

Um silêncio certamente atômico que calhe os ruídos, saiba repousar e não se envergonhe de aparecer numa cidade grande! Um silêncio provinciano que possa ser nosso ao menos por um dia de trabalho exagerado, ou numa noite teimosa de insônia?