Poesia de MANOEL VIRGÍLIO (AVSPE 2012)

A TERRA EM AGONIA

É surdo quem, no mundo, não escuta
Da Terra, seus lamentos… a agonia!
A sua resistência, sua luta,
Na guerra que lhe movem, dia a dia.

São águas, cada vez mais poluídas,
Dejetos pelos mares despejados.
Nos polos as geleiras derretidas
E os rios, por esgotos infetados.

São terras, pelos homens, exauridas,
São gazes e fumaças exalados.
Florestas pelas serras abatidas
E o espaço já, também, contaminado.

Com toda natureza sendo morta,
Não ouvem seu apelo; nem importa!

O Hoje, Amanhã, Será o Ontem!
Manoel Virgílio

O Sol vai se escondendo no horizonte
E após um lusco-fusco, é apagado.
Mas, hoje, amanhã, será o ontem,
Presente, no futuro, é o passado!

Eu durmo, acordo, durmo, na rotina,
Das noites que, entre dias, se sucedem.
Das noites que perdidas nesta sina,
Da vida que os dias é que a medem.

A vida se escoando, dia a dia,
Futuro que, chegando, vai passando,
Enquanto a Terra gira pelo espaço.

Presente, mal que vivo, o ultrapasso;
Passado, dos meus dias, maioria;
Futuro, ainda vem, mas, já, minguando. . .

O Ideal e o Real
Manoel Virgílio

Sonhando co’o ideal nunca vivido,
Vivendo seu viver muito sofrido.
Sonhando co’uma vida surreal,
Porém vivendo, sempre, uma real.

Futuro é ideal somente em sonho,
Um sonho que jamais realizado?
Será que está, no além, sempre, tristonho?
Real é só o presente ou o passado!

Futuro projetamos p’ra luzir,
Buscando nossa vida conduzir
Num plano que ideal e mui sonhado.

Na vida, a que real, nosso porvir,
Virá, muitas das vezes, iludir:
Porque, raro, o futuro é o almejado.

O Tudo e o Nada
Manoel Virgílio

O tudo nunca pode vir do nada!
Do nada não nasceu este universo
E o tudo foi criado, por vez, cada,
Nem mesmo o que há no espaço é o inverso.

Nós cremos que foi Deus quem deu partida,
Foi Ele do universo o criador.
Do espaço, todos astros e da vida,
É Dele tudo o que nos tem valor.

Calor que vem do Sol, dá vida à Terra,
Mas tudo tem início, meio e fim.
A vida tem seu tempo e aqui se encerra,

Também, todo o universo e a Terra, enfim.
E vida, aqui na Terra, ainda, existe,
Mas do homem, à sua ação, já não resiste!

(recebido de Maria da Fonseca
a quem agradeço)