OI UM ANJO -Joaquim Evónio(morreu o poeta e o amigo)

Acabo de ser informada da morte do meu amigo, grande poeta, Joaquim Evónio. À sua Família
apresento os meus sentidos pêsames. A Sua Varanda das Estrelícias (Uma Ponte sobre os
Oceanos) prestou um grande serviço e a sua disponibilidade para permuta era infindável.

A última vez que estive com ele foi num encontro de poetas em Sintra.

Este ano está a ser um ano de perdas constantes.

O poema abaixo é do Joaquim Evónio

Foto extraída do blogue http://senderosfotograficos.blogspot.pt

Foi um anjo, melodia
que voou para os meus braços
em amplexo tão ardente…
Curou todas as feridas
que me traziam doente…

Mas hoje, amanhã e sempre
trarei no peito em chamas
a triste recordação
do tempo que não vivi.

Foram dias, foram anos
vividos pelos pinhais,
sentindo como os navios
perdidos… órfãos de cais…

Com o sol nasceu encanto
abraçado aos braços dela…
Veio o Verão, Primavera,
guardando o meu Outono
numa caixa de Pandora…

Foi a aventura sincera
sem amargura nem dor,
foi tudo, foi quase nada,
apenas um grande amor.

joaquim evónio


HOJE MORREU UM POETA
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Está de luto a poesia
Emudeceu a caneta
E a mão que a escrevia.

Quanta dor deixaste em nós
P’la partida prematura
Ficámos hoje mais sós
Numa profunda amargura.

Neste adeus de despedida
É grande a nossa emoção
Tão cedo roubado à vida
Sem sentido e sem razão.

Adeus poeta…Partiste
P’ra etérea eternidade
Ficou a poesia triste
Nos amigos a saudade !…

Euclides Cavaco

encruzilhada

entre o blues e o heavy metal, notas sutís sobre  outros assuntos…

Trítono, o som do Diabo

em Música  por em 11 de jun de 2012 às 19:02

Impressionante como o som influencia pensamentos, comportamentos e sociedades  em épocas e regiões distintas. O trítono sugere tensão e emoção mas será mesmo o  som do Diabo?

music-note.jpg

Você pode até não saber o que significa ou nem mesmo dar a menor importância  mas com certeza já ouviu e possívelmente sentiu-se arrepiar com a execução de  alguma música, ou trecho dela, que contenha o trítono, o “som do Diabo” como  ficou conhecido na Idade Média. Trata-se, tecnicamente falando, de um som  dissonante (forma da harmonia musical) obtido quando determinadas notas são  tocadas simultaneamente, um intervalo musical (diferença de três tons entre as  notas que podemos ouvir em exemplos como a quinta diminuta ou quarta aumentada)  que pode ser obtido a partir de variadas combinações de notas e que, assim como  os sinais na pele para a inquisição, tornou-se alvo de ataque por parte da  Igreja Católica na “era das trevas” por ser considerado desarmônico e refletir  momentos de “tensão” na música devido à sensação de movimento que causa.

tritono2.jpg

Interessante como uma combinação de notas pode provocar tal reação nas  pessoas chegando ao ponto de ser considerada como algo vindo do demônio. Os  efeitos da música nas pessoas vêm sendo estudados há muito tempo por diversas  culturas ao redor do mundo e em épocas distintas, cada qual com suas teorias bem  ou mal fundamentadas. Conforme a cultura tomada como exemplo observa-se  diferentes significados para a música e para os sons, bem como sua gama de  energia e influência sobre o ouvinte. A importância e relevância no meio social  varia, deveras, mas não deixa de estar presente em praticamente nenhuma  sociedade; nas ditas civilizadas principalmente.

O trítono – sem atribuir qualquer conotação subliminar – há de se admitir,  traz uma sensação de tensão, um “toque” ou insinuação de maldade. Vejamos o 1º movimento da 5ª sinfonia de Beethoven por exemplo, nota-se que a tensão  exacerbada lá está, gritando nos ouvidos de forma constante; até pode ter algo  de natural esta relação com o teor malígno mas, com certeza, ela advém da  criação neurótica e proposital daqueles que desejaram dominar mentalidades e  controlar os limites da criação humana em épocas diversas. Afinal, que lei  universal diz que tensão (ainda mais momentânea) é coisa do diabo? Esta  tentativa de coibir a criação por vezes foi de responsabilidade da Igreja  Católica, neste caso não foi diferente.

A Igreja na era medieval considerou que o intervalo trítono era um sinal de  maldade demoníaca e este intervalo passou a ser conhecido como “diabolus in  musica”, nome em latim que significa “o diabo na música”. Desta forma proibiu,  ou tentou proibir, que ele fosse adicionado em músicas compostas e tocadas desde  então. Nem carece de maior atenção mais esta barbaridade praticada pela igreja  medieval e o que realmente importa é a constatação do efeito que a música causa  na mente humana, individual ou coletiva e institucionalmente falando. Eis o  cinema para avalizar esta afirmação; as trilhas sonoras nada mais têm como  objetivo que o direcionamento sensitivo dos que assistem ao filme. Suspense,  humor, ternura, tristeza, sexualidade, etc., todos estes sentimentos são  denotados através de efeitos sonoros ou músicas inseridos nos momentos certos,  nas sequências adequadas ao que se objetiva transmitir, um arifício que hoje nem  mais pode ser considerado como tal, dado seu entrelaçamento com a produção do  cinema em si. Hoje, há muito tempo aliás, o cinema não mais vive (já viveu?) sem  efeitos e trilhas sonoras que o auxiliem em sua mensagem!

tritono-colagem.jpgEm sentido horário: Beethoven, Robert  Johnson e Ronnie James Dio

O trítono, nada tem de absurdo dizer, configurou-se numa nova forma de ver o  mundo (!), pelo menos tendo a música como lente. Uma forma que tem seus sinais  também observados na música que os escravos dos norte-emericanos tocavam e que  deu origem ao Blues no início do século XX, com suas blue notes que entoavam  tristeza, emoção e muita malícia. E é desta veia triste, emotivamente maliciosa  e dissonante que o Rock e o Heavy Metal também aproveitaram-se para fincar  muitas de suas bases. Não é nada difícil encontrar o trítono em canções do  Metal, sendo este um elemento praticamente definidor deste estilo em muitas  “cartilhas”.

Tome-se como exemplo músicas onde o trítono está presente para a inevitável  sensação de tensão mencionada anteriormente, o som dele pode influenciar e  modificar a percepção de derminadas canções. Da música clássica ao Metal o  “diabolus in música” definitivamente enriquece e, sem dúvida, aquece a audição!  Fica a sugestão para uma “audição mais demorada”…

A seguir dois perfeitos e clássicos exemplos de músicas onde o trítono se faz  presente. A música Black Sabbath da banda homônima (o mais famoso trítono do  Heavy Metal) e o 1º movimento da 5ª sinfonia de Beethoven.