O POEMA – Natália Correia

O poema não é o canto
que do grilo para a rosa cresce.
O poema é o grilo
é a rosa
e é aquilo que cresce.

É o pensamento que exclui
uma determinação
na fonte donde ele flui
e naquilo que descreve.
O poema é o que no homem
para lá do homem se atreve.

Os acontecimentos são pedras
e a poesia transcendê-las
na já longínqua noção
de descrevê-las.

E essa própria noção é só
uma saudade que se desvanece
na poesia. Pura intenção
de cantar o que não conhece.

Natália Correia, in “Poemas (1955)”

extraído da página do Facebook
de Anabela de Araújo

de Artes & Poesias


José Saramago in Memorial do Convento

«(…) Fica, enquanto não fores, será sempre tempo de partires,

Por que queres tu que eu fique,

Porque é preciso,

Não é razão que me convença,

Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar,

Não tenho forças que me levem daqui, deitaste-me um encanto,

Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei,

Olhaste-me por dentro,

Juro que nunca te olharei por dentro,

Juras que não o farás e já o fizeste,

Não sabes de que estás a falar, não te olhei por dentro,

Se eu ficar, onde durmo,

Comigo. (…)»

Recebido da minha estimada amiga Maria da Fonseca

Em tempo de rescaldo dos grandes incêndios que lavraram nestes dias na Ilha da Madeira

e no Algarve, é de inteira justiça lembrar aqueles que, sem hesitações nem titubeâncias,

deram o seu peito às chamas para salvar vidas e haveres das populações mais débeis destes territórios.

A sublime lição

dos soldados da paz

( Um apontamento de Eugénio de Sá )

Neste deserto global da indiferença humana em que vemos transformar-se a sociedade, sobretudo a sociedade cosmopolita, os bombeiros voluntários constituem autênticos oásis de solidariedade e de esperança, que mostram que nem tudo está perdido. Outras classes há que, pela sua estimável acção, são igualmente dignas de menção e justo aplauso, sem dúvida, mas os “nossos” bombeiros ocupam, indiscutivelmente, o altar mais alto da admiração coletiva.

O toque da sirene sobrepõem-se aos afazeres e aos passatempos dos que se encontram em prontidão, ou, dos que o não estando, sabem que a sua presença pode ser um importante reforço aos que vão enfrentar-se com os acidentes provocados pela natureza ou pelo seu semelhante, quer seja por infortúnio, por incúria ou desleixo, ou ainda por tantas outras causas, cujos efeitos eles ajudam a minorar, sem se pouparem a esforços e sacrifícios, nem questionar ou emitir juízos de valor.

Dão-se simplesmente, tantas vezes com o risco da própria vida, para tentar salvar outras, honrando a máxima universal da sua classe: “vida por vida”.

Quantos de nós não tomamos conhecimento ou assistimos já – ao vivo ou em direto, pela TV – os espectaculares feitos destes benditos soldados da paz ? – Podemos, certamente, dizer que lhes perdemos o conto, tal a profusão de situações de típica intervenção dos nossos abnegados e gloriosos bombeiros.

E não se pense que, apesar de voluntários, estes homens e mulheres não estão preparados e treinados para operar. – Ao contrário; a sua preparação, disciplina e coordenação com a respectiva cadeia de comando é perfeita e a qualidade da sua acção irrepreensível e altamente eficaz, ao invés do que, infelizmente, vem acontecendo com outros sectores da socieadade “ditos” profissionais.

Parafraseando Lord Winston Churchill, então em tempo de guerra, direi sobre a valia social dos bombeiros voluntários – e, também, com inteira justificação – que, em tempo de paz; “nunca tantos deveram tanto a tão poucos” .

Saibamos aproveitar a lição de solidariedade destes verdadeiros soldados da paz, que não desertam perante o perigo e que sabem oferecer – sem hesitações – a sua vida, em holocausto, sempre que está em causa a salvação da do próximo.

E.Sá

sugiro uma visita ao blogue de Maria da Fonseca
http://poesiadanatureza.blogspot.com

fotografia cedida por Valdemar Traca

Há pessoas que têm uma capacidade em fotografar com tal qualidade e sensibilidade
cujas fotos me deixam absolutamente fascinada. É o caso de Valdemar Traca.

Como sabem, já tenho feito aqui algumas referências a fotógrafos que me fascinam
com os seus trabalhos. É mais uma vez, o caso.

Sugiro uma visita ao seu site:
http://www.valdemartraca.com