ARTE E CIÊNCIA
Célia Laborne

A Arte é importante na evolução da humanidade na medida em que ela treina, apura, disciplina e sensibiliza o individuo para perceber – ou participar – de outras realidades mais sutis e de outros níveis de vida unitários. A Arte treina também a concentração que é fundamental no processo do conhecimento interno e da expansão da consciência.
O artista cresce mais quando vai conscientizando-se disso, e assim, procurando uma elevação global da vida e não uma comercialização ou uma separatividade cada vez maior do todo onde nos movemos.
Da mesma forma, a ciência, de qualquer natureza, disciplina e treina o homem, principalmente na concentração e na compreensão dos mecanismos da natureza e da vida humana, animal, vegetal ou mineral. O cientista profundo faz, como artista, um trabalho dinâmico que canaliza suas energias de forma correta e ampla, impedindo que ela se disperse em superficialidades e desorganizações, tão facilmente encontradas naqueles setores que não têm um trabalho sério e constante. Uma pesquisa sincera é um trabalho energético dos mais proveitosos, para a conquista adequada da manipulação das energias, no nível em que cada um se encontra.
E todo o trabalho feito com estas características, sem egoísmo, sem autopromoção ou comercialização gananciosa, acaba, de uma forma ou de outra, beneficiando a coletividade no seu processo de evolução da raça.
A Arte, a Matemática, a Medicina, as Ciências Sociais, Economia e Finanças, ou qualquer outro estudo e pesquisa que saem do superficial e do desorganizado e vão à profundidade do mesmo, são um trabalho útil de concentração e ampliação da consciência.
O ser humano é complexo, múltiplo e variado em graus de evolução, planos e raios de trabalho. Por isso ele atinge dimensões superiores por diversas vias. Cada grupo evolui na direção de sua melhor sintonia com aquele núcleo divino que está em todos e que a todos atrai no seu devido tempo.
O crescimento interno não pode ser padronizado; compreender o outro como ele é, e como busca Deus, é melhor do que julgá-lo ou condená-lo.
Plantas diversas semeadas em tempos diferentes dão flores e frutos em época e forma diversas. Vibrações múltiplas manifestam-se em nosso Planeta e tem maturação em ciclos variáveis.
Nos estágios iniciais das buscas científicas, filosóficas ou religiosas e místicas, pensamos sempre que o “nosso” caminho é o único que contem a verdade. Mas com o aprofundamento dos estudos e dos contatos com outras áreas, percebemos que a fonte única tem faces e ângulos complexos e diversificados que se comunicam e se complementam. Religiões se ligam, filosofias fazem-se pontes, ciências encontram-se com a mística.
Quando chega o tempo da humildade é que o investigador se abre ao aprendizado das diversas fontes, consciente de que está, não renegando sua fé ou ciência, mas ampliando-a, enriquecendo-a, sintetizando tudo que floresce onde há busca sincera e elevada.
Pode-se colher contribuições de todos os investigadores honestos, sinceros e profundos, das áreas mais diversas, se eles os tiverem levado a aberturas e vivências realmente elevadas. Tudo vem do Uno e com discernimento e isenção de preconceitos, pode-se chegar a um conhecimento mais pleno do nosso próprio caminho.
Cada um que procura elevar-se na sua própria espiral, coopera no grande crescimento coletivo, na receptividade de mais luz, na conquista dos novos planos e dimensões. O expandir constante da consciência abre melhor o campo da intuição por onde flui beleza, harmonia e paz.

Como se fosse a última vez

Como se fosse a ultima vez…deixa-me percorrer as lembranças…como se fosse um rio a lamber-me a pele…um oceano a rasgar-me a dor…um vento a afagar-me o rosto…sonhos a acaríciarem o meu corpo vazio…como se a ausência não adormecesse no leito desse rio de águas estagnadas…desse corpo de sal e mágoa.
Como se fosse a última vez…deixa que em sangue e cal me… escreva e solitária me recolha ao silêncio das palavras que um dia foram o vinho suave que do teu olhar bebi…como quem bebe a eternidade…como quem espera a morte e chama a vida…como se o tempo não existisse…como se o meu corpo não morresse…como se a minha nudez não te esperasse…como se o abismo não fosse tão profundo…como se a vida não fosses tu.
Como se fosse a última vez…olha-me docemente e deixa no meu corpo um afago…bebe da minha boca o derradeiro suspiro como se a solidão não existisse…como se a noite não fosse o regaço de todas as mortes…a ilusão de todos os momentos o desvanecer de todos os instantes…o fim de todos os sonhos .
Como se fosse a última vez…deixa que nas lages silenciosas do tempo…na lápide fria da ilusão adormeça os meus desejos…deixa que volte a ser pura e de alma branca e nua…que percorra os últimos degraus onde ausente caminho…da vida tão distante…de ti tão amante…do amor tão esquecida…de ternura tão despida…de infinito tão sedenta.

Escrito por : ROSAMARIA

(retirado da página do Facebook
de Anabela de Araújo)