de Artes & Poesias


José Saramago in Memorial do Convento

«(…) Fica, enquanto não fores, será sempre tempo de partires,

Por que queres tu que eu fique,

Porque é preciso,

Não é razão que me convença,

Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar,

Não tenho forças que me levem daqui, deitaste-me um encanto,

Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei,

Olhaste-me por dentro,

Juro que nunca te olharei por dentro,

Juras que não o farás e já o fizeste,

Não sabes de que estás a falar, não te olhei por dentro,

Se eu ficar, onde durmo,

Comigo. (…)»