memórias do subsolo

Reciclando a palavra, o telhado e o porão

Ode ao Livro Usado

por Mariana Keller em 06 de set de 2012

Uma homenagem aos livros que transmitem vida.

Eu gosto mesmo é dos livros velhos. Aqueles com as páginas amareladas e trechos sublinhados, notas escritas e folhas levemente amassadas. Os que vêm com dedicatória, com cheirinho que provoca espirro e manchas de café.

O livro não nos pertence, nós é que pertencemos a ele enquanto estamos em sua companhia. Livros deveriam ser sempre transitórios, precisam passar de mão em mão. De diferentes pessoas, em diferentes momentos da vida.

De uma criança que foi obrigada a ler na escola e que não entendeu quase nada do que estava escrito. De uma moça que o ganhou de seu pretendente para ser conquistada. De um amigo oculto. De um aniversariante presenteado. De um apaixonado por capas e que escolhe os títulos através delas. De um escritor em busca de inspiração. De um viajante durante seus trajetos. De um solitário que faz dos personagens citados suas únicas companhias. De um intelectual viciado em leitura. De um estudante desesperado para tirar boas notas. De um questionador em busca de respostas. Dos sonhadores que fazem das palavras escritas sua fábrica de sonhos.

Como são sortudas as pessoas que já leram livros de bibliotecas e sebos. Livros que já visitaram diferentes lares. Porque livro bom é aquele que, além de nos fazer mergulhar na história escrita em suas páginas, também está impregnado de fábulas da nossa vida real, da vida dos leitores que o folhearam.

Fonte: OBVIOUS

Procura à Corja

“obrigado, excelências.
Obrigado
por nos destruírem o sonho e a oportunidade de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar de como é possível viver
……sem vergonha, sem respeito e sem digni
dade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais
temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias um dia menos interessante
que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer, o que nunca
deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.»

*Joaquim Pessoa.