Falo rápido para que a vida não me fuja

falo rápido para que a vida não me fuja
o tempo não me aprisione
o momento não se esvaia

falo rápido para enganar o ócio
confundir os anjos
afastar alguns demônios

aproximar a alma…

Mara Faturi

(extraído da página do Facebook
de Anabela de Araújo)

Sempre respeitei Ramalho Eanes com quem trabalhei no tempo do PRD, sabendo bem quanto é uma pessoa íntegra

Tal e   qual o nosso actual presidente da república .Leiam atentamente e
encontrem as semelhanças e diferenças, se realmente existem

OBRIGATÓRIO LER! Ao contrário do que se diz, ainda existem políticos com
integridade e valores!

Texto de Fernando Dacosta…. para reflexão, se ainda temos tempo para
isso!!!

[]

Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada
pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.

O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com
quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a
receber.

Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de
militar para a qual descontara durante toda a carreira.

O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso
aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.

Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas
durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos
mil euros.

Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício,
que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados – e
não aceitou o dinheiro.

Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à
traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma
esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o
imergem, nos imergem por todos os lados.

As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de
conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo
abandono social.

Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou
a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da
Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a
difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o
Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e
aceito-a. Mas pedi-la, não. Nunca!»

O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter
aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa
recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de
semelhantes comportamentos.

“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da
responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se
indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de
outrora”.

Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da
honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e
inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta- acrescentando os outros.

“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi
como tímido, liderando”. O acto do antigo Presidente («cujo carácter e
probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como
escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões
salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.

Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um
nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a
acreditar-nos – condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser
decentes.

Disseram que perante as dificuldades da Presidência teve de vender uma casa
de férias na Costa de Caparica e ainda que chegou a mandar virar dois fatos,
razão pela qual um empresário do Norte lhe ofereceu tecido para dois. Quando
necessitava de um conselho convidava as pessoas para depois do jantar, aos
quais era servido um chá por não haver verba para o jantar. O policia de
guarda em vez de estar na rua de plantão ao fio e chuva mandou colocá-lo no
átrio e arranjou uma cadeira para ele não estar de pé. Consta que também lhe
ofereceram Ações da SLN-BPN, mas recusou.

Obrigatório Repassar.
Todos os Portugueses têm a obrigação de saber isto.
E já que a comunicação social deste nosso triste País está “impedida” de
divulgar estes casos, vamos nós assumir essa missão.

Plagiar…

A madrinha deste meu blogue está muito triste, porque têm plagiado o seu blogue…

Não é digno usar o  trabalho de X pessoa como se seu fosse…

Deve dar-se sempre o crédito ao criador, pois esse sim, teve a inteligência,

sensibilidade e trabalho na criação.

Como sabem coloco neste blogue, muita poesia. Muita dela cedida

(com antecipado pedido de autorização) e outras retiradas de livros

também referidos. O mesmo acontece a outros níveis.

Sempre fui e serei muito grata,  a todos os que me têm cedido os

seus trabalhos, e às vezes a dificuldade é publicar todos.

Espero meus amigos, fazer sempre as coisas de maneira correcta,

porque é essa a minha forma de estar na vida.

 

(imagem: Paolo Veronese)

 

 

 

 

 

 


Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:

fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

Ferreira Gullar

(extraído do Facebook da
página de Anabela de Araújo)

 

SE EU PUDESSE de Nilson Barcelli

Se eu pudesse,
sentava-te ao piano
para que tocassses a melodia
que tenho de pé
e guardada para ti em silêncio.

Não em papel,
mas escrita nos meus dedos,
que morrem
na surdez de te ouvir e tocar
sem vestígios de ruído.

Que se encarquilham na saudade
de te sentir,
onde só notas perfeitas ecoassem,
profundas, com carícias
e beijos latejantes.

Se eu pudesse,
fazia com que o tempo libertasse
a nossa liberdade.

sugiro uma visita ao seu blogue:
http://nimbypolis.blogspot.com