Igreja de Olivença eleita ‘melhor recanto de Espanha’

“O Melhor Recanto de Espanha 2012” é um monumento português. A Igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, arrebatou o 1.º lugar numa votação online, mas a distinção reacende as dúvidas sobre a perda do território.

11:54 Quinta feira, 27 de setembro de 2012

A Igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, monumento do séc.XVI com estilo manuelino

Lusa

A Igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, único lugar de culto espanhol de estilo manuelino, foi eleita “O Melhor Recanto de Espanha 2012” num passatempo promovido pela Repsol. A votação decorreu na Internet e os resultados da final foram divulgados ontem à noite.

Datada do início do século XVI, a igreja destronou a Lagoa da Cigana (Castilla La Mancha), que ficou em 2.º lugar, e o Forau de Aiguallut (Aragão), o terceiro mais votado.

Rica em azulejos e em motivos decorativos marítimos que remetem para a época dos Descobrimentos portugueses, a Igreja de Santa Maria Madalena (Extremadura) é visitada diariamente por centenas de turistas.

A votação volta a trazer à atualidade uma questão antiga em relação a Olivença. A localidade foi anexada por Espanha em 1801, mas Portugal não aceitou de bom grado a perda do território, o que ainda se mantém. A eleição foi hoje considerada pelo presidente da Associação Amigos de Olivença “um paradoxo” que deve levar à devolução da região ao território português.

“Eu, como presidente da Associação Amigos de Olivença, considero que o desenrolar deste concurso repousa sobre um grande paradoxo inicial: que a Estremadura espanhola tenha como símbolo seu a Igreja de Olivença, uma igreja tipicamente portuguesa, uma jóia da arquitetura portuguesa do século XVI que é a segunda igreja mais representativa do estilo manuelino a seguir ao mosteiro dos Jerónimos”, afirmou à Lusa Fernando Castanhinha.

Vitória graças “ao esforço da população oliventina”

“Depois de 200 anos de ocupação espanhola de Olivença, de alienação cultural, de tentativa de apagar a língua portuguesa, é paradoxal que o representante deste concurso espanhol seja uma obra tipicamente portuguesa, que não tem absolutamente nada de espanhol”, disse.

A vitória no concurso é atribuída pelo presidente desta associação ao “esforço da população oliventina” como forma de “reforçar a sua visibilidade dentro do Estado espanhol”, mas Fernando Castanhinha acha que isso deve provocar uma reação do Estado português.

“Mais do que ficarmos todos contentes por a Igreja de Olivença se tornar símbolo de Espanha, o que temos de exigir é que, já que o território de Olivença é considerado pelo Estado português e por uma parte da opinião pública como um território ilegalmente ocupado por Espanha, que seja devolvido.

Ainda na fase em que decorriam as votações, o presidente do Ayuntamineto de Olivenza, Bernardino Píriz, mostrou-se satisfeito com a projeção que Olivença estava a conquistar, por considerar que , em caso de vitória, a distinção valer uma referência a Olivença no “Guia Repsol”, situação que Bernardino Píriz considerou “equivaler a uma estrela do Guia Michellin”.

Fonte:Sapo Online

A Evocação de Sophia de Alberto Vaz da Silva (Assírio e Alvim)

Foto de Eduardo Gageiro

2009), com prefácio de Maria Velho da Costa e posfácio de José Tolentino Mendonça, é um livro belíssimo feito de uma devoção intensa em relação a uma das pessoas mais extraordinárias da cultura portuguesa contemporânea. A poesia pátria, que teve no século XX um momento especialmente rico, como um dia reconheceu João Bénard da Costa, ao duvidar que tivéssemos sido sempre um país de poetas, tem em Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) um caso muito sério de talento e sensibilidade. E nesta evocação o que se sente, fundamentalmente, é a pessoa, como ser inseparável da sua condição de poeta. E se falei de devoção, o certo é que em nada esta perturba a limpidez e a verdade que o autor nos dá e que nos permite relembrar a poeta

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(Poesia de Sophia)

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen