A Rapariguinha

Tipo: Estatuária
Categoria:Memórias
Localização:Praça do Principe Real / Jardim França Borges
Freguesias:Mercês

Cronologia
Precedido pela homenagem que originou designação de Jardim França Borges, em 1915, este conjunto escultóricom de tipo simbólico, foi inaugurado em 4.11.1925.

Historial
“A Primeira República e a Câmara Municipal de Lisboa começaram por reconhecer os relevantes serviços de António França Borges para a causa republicana, pelo nome que deram ao jardim, fazendo parte da Praça do Principe Real. Depois, a nordeste da Praça/Jardim, junto ao quiosque e à árvore com a maior copa de sombra de Lisboa, colocaram este monumento representando uma alegoria em bronze com base e coluna em pedra. A figura da República segura o jornal “O Mundo”, em cujo periódico se destacou, ao denunciar a ditadura de João Franco, bem como, questionar os valores ou anti-valores monárquicos que considerava nefastos para Portugal.

A PORTA


A Porta

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo

Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa…)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!

Vinícius de Moraes. A Porta. In: A Arca de Noé. 2ªed. Rio de Janeiro, Liv. José Olympio Ed.,1974.p.35-6