Uma Carta para ti

Há mais de meia hora
que estou sentado à secretária,
Com o propósito único de te escrever.

E se eu queria uma carta serena
– Como o é esta hora, ao morrer do dia… –
Para melhor te revelar
O meu mundo profundo,

O fundo do meu mar…
Hoje a este porto vieram dar todos os ventos!…E nesse tom de fantasia
As imagens soltas,
Como folhas…
Espalharam-se em pensamentos
E frases magoadas…
Tirados de fantasmas
E carregadas de lamentos…
Que não consegui parar…

É que como tenazes…
Há muito as trazia coladas
Nas minhas mãos fechadas!…

E que me agitaram em vez de repousar.

Manuel Sepúlveda

@Fotografia de Jerry Uelsmann

(extraído da página do Facebook
de Anabela de Araújo, com a
devida autorização.)