Agustina Bessa-Luís 90 Anos de Vida (para mim a maior escritora viva)

Ao receber, no Brasil, o Prémio Camões [em 2004], Agustina Bessa-Luís reconhece-se ‘criada na memória do Brasil’”.

“Com efeito, o Brasil está, desde a infância, fortemente presente no seu espírito: ‘Era menina pequena e já conhecia de lés-a-lés a Rua do Ouvidor e as lojas com sobrado, e os armazéns com balcões de madeira clara; e debaixo deles dormia um rapazinho, amargo e contente de estar em cidade estranha’, escreveu.

“Agustina conheceu, pois, o Brasil ‘de maneira quotidiana, natural e familiar’, como conta noutro texto em que também recorda o pai: ‘Eu invejava-lhe [ao pai] a vida passada, invejava-lhe o Brasil que ele tinha nas veias como se fosse parente de sangue. Às vezes falava do Brasil urbano onde ele viveu vinte e cinco anos. E eu ouvia, com essa incredulidade dos que adivinham a experiência que nos foge pelos abismos do tempo’”, lê-se ainda na nota editorial.

Agustina Bessa-Luís, reconhecida pelo público ao publicar o romance “A Sibila”, em 1954, que lhe valeu o Prémio Delfim Guimarães e o Prémio Eça de Queirós, viu a sua obra traduzida em diversas línguas, vários dos seus romances adaptados ao cinema por Manoel de Oliveira.

Homenageada, ao longo da vida, em diversos países e universidades, e condecorada pelos Estados português e francês, encontra-se há muito afastada do olhar público pela família, por razões de doença indeterminada, o que lhe tem causado “uma certa morte ainda em vida”, como disse uma vez o Nobel José Saramago, que muito a admirava.

ESTRANHAS-ME

Estranhas-me como eu a ti.
…Somos diferentes em tudo,
E estranhamente parecidos;

No sentir intenso das diferenças que nos separam,
Que acabam por nos unir…
Há algo misterioso que nos atrai pelas diferenças.
Há algo de diferente que nos atrai misteriosamente.
Assim somos, eu e tu!

Fernando Figueirinhas

(extraído,com a devida autorização,
da página de Anabela de Araújo
do Facebook)