UMA CARTA A NINGUÉM
( Minho…)

Hoje…O que escrevo
É triste e cinzento
Como a chuva no inverno.
Igual à cor da imensa solidão
Em que vai batendo esta criança/ coração
Que habita o meu corpo…
Feito casa onde já ninguém mora

Senão eu…a chuva… o frio e este vento que doi
E vem de fora…

Razões ?… sobram-me nas fantasias,
Nas histórias e nas emoções…
Às vezes quase vazias,
Se comparadas com os sons alegres das romarias
Que enchem este nosso Minho.

São as minhas recordações…
Que vou bebendo, golo a golo, como o vinho…
Enquanto assisto ao seu passar em palcos
De distante memória,
Onde foram guardadas, em socalcos…
– Um para cada história.
Muitas, falam de por quem… e se fui ou não fui amado.
E deixam-me o sabor azêdo do muito tempo desperdiçado…

Oh!…este coração que não tem idade
E com tão pouco tino !…
Mas como ele é generoso em me fazer acreditar
Num outro e melhor Destino !….

*Manuel Sepúlveda

@Imagem: Pintura de Stanislav Sugintas

(extraído,com a devida autorização
da página do Facebook de
Anabela de Araújo)

SEM PALAVRAS

A vida inteira busquei
explicações e deciframentos:
encontrei silêncio e segredo,
às vezes o conforoto de um ombro,
outras vezes
dor.

No último lapso
de um tempo sem limites
-embora a gente o queira compor
em fragmentos-,
abriram-se as águas
e entrei onde sempre estivera.
Tudo compreendido
e absolvido,
absorta eu me tornei

luz sem sombra:
assombro.

Lya Luft- O silencio dos amantes

(extraído com a devida autorização
da página do Facebook, de
Anabela de Araújo)