Morreu o escritor e jornlista Manuel António Pina(foto Lusa)

Morreu esta tarde no Porto o poeta Manuel António Pina, 68 anos, Prémio Camões 2011. A sua obra poética está reunida no volume Todas as Palavras (2012), editado pela Assírio & Alvim.

Manuel António Pina era reconhecido como um dos melhores cronistas de língua portuguesa Imagem: LUSA

Manuel António Pina, 68 anos, nasceu no Sabugal em 1943, e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Para além de poeta foi também um consagrado autor de literatura infanto-juvenil. Ao longo de mais de 30 anos foi colunista do Jornal de Notícias, onde começou a trabalhar em 1971. A sua obra está publicada em Espanha, França, Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Croácia, Bulgária, Rússia e Estados Unidos.

Manuel António Pina estreou-se na poesia em 1974 com o livro “Ainda Não É o Fim nem o Princípio do Mundo Calma É Apenas Um Pouco Tarde”. No ano anterior publicara o seu primeiro livro para crianças, “O País das Pessoas de Pernas para o Ar”.

Reconhecido como um dos melhores cronistas de língua portuguesa, Manuel António Pina publicou dezenas de livros de poesia e de literatura para crianças, mas só em 2003 se aventurou na ficção “para adultos”, com “Os Papéis de K.” O seu mais recente livro é “Todas as palavras – Poesia reunida”, publicado este ano.

Além do Prémio Camões que lhe foi atribuído em 2011, Manuel António Pina foi distinguido ao longo da sua longa carreira literária e jornalística com inúmeros prémios, nomeadamente o Prémio de Poesia da Casa da Imprensa (1978) ; Prémio Gulbenkian (1987); Prémio Nacional de Crónica Press Club/ Clube de Jornalistas (1993); Prémio da Crítica, da Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários” (2002); Prémio de poesia Luís Miguel Nava (2003) e Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores/CTT (2005).A sua obra está traduzida em França (francês e corso), Estados Unidos, Espanha (espanhol, galego e catalão), Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Rússia, Croácia e Bulgária

(Fonte_Sapo)

UM PARAÍSO…OU UM INFERNO


Quando sonho contigo…
Sonho um paraíso que havia de ser lento …
Feito de desejos

De um amor erótico…
Roubados a um pensamento
De sabor exótico,
Mais doce,
Que o mais doce dos teus beijos…

Um paraíso…talvez aparente…
Mesmo irreal!
Mas construido ao meu jeito…
Onde tudo acontece
Misturado num sonho quente…
Feito de fogueiras
Que ardem num fogo igual
Àquele que acendeste no meu peito
E que hoje me aquece.

E que havia de ser eterno!

Mas já depois…
Quando a noite se desvanece,
E acordo e te vejo ausente…
Êsse mesmo sonho,
Que seria de nós dois…
Mais me parece…
A própria imagem do inferno.

Manuel Sepúlveda

(extraído da página de Anabela de Araújo
da sua página do Facebook)