O RITMO CORRETO – Célia Laborne

A vida é uma só, em várias manifestações. A beleza e a paz nascem da harmonia e a harmonia é ritmo correto e equilíbrio, dentro do Cosmos.
A vida feliz e alegre é decorrente do ritmo proporcional e adequado ao estado de bem viver. Todo o segredo da criação baseia-se nos diversos ritmos cósmicos sempre harmoniosos e nas suas variáveis frequências.
Tudo aquilo que parece ao homem desejável e importante, para ele, em qualquer plano de sua expressão, é apenas sua busca consciente ou não, de sua harmonia com o todo.
Conforto, lucro, posição, conquistas de qualquer ordem, tudo é o desejo do ser humano de encontrar a harmonia – essa é uma das teorias do Sufis. Até quando conseguimos as coisas mais mundanas, o que queremos mesmo é a harmonia.
Não estando consciente disto, o ser humano acaba cometendo erros em encontrar alegria e equilíbrio verdadeiros, também na vida concreta e prática.
Sem esta compreensão, existem pessoas boas que sofrem ainda por não saberem realizar efetivamente a essência da espiritualidade; essa unidade que a todos permeia e une. Harmonia e sintonia com toda a vida manifestada, é afinidade e afinação com todos.
O bem supremo é a harmonia em si, diz o sufi Inayat Khan. Ele afirma que as religiões mundiais nasceram do coração daqueles homens que entraram em sintonia e comunhão com o ritmo do Universo, cuja Lei suprema é o Amor.
Assim, cada palavra ou ação de um ser iluminado tem o ritmo e o equilíbrio da verdade, do amor, da harmonia e da justiça, da Lei Universal.

de Eugénio de Sá(O Sótão da Saudade)

Como um velho conhaque que se apura
Com a passagem dos anos, e a doçura
Lhe avulta as castas nobres e os odores
Também da vida o que é melhor vivido
Que encerra em si os sabores do antigo
Escondemos entre as sobras dos amores.

E escolhemos um sótão sem idade
Onde vamos guardar toda a saudade
Dos êxtases maiores do coração
Lá, é perpetua a dor que nos ficou
P’la ausência do amor que nos deixou
É lá que vamos em peregrinação.

E se poeta for quem assim sente
Mais sofrerá com esse amor ausente
Pois a poesia é feita do sofrer
Das almas que outras almas já amaram
E assim delas carentes se ficaram
Sem mais esperar da vida que morrer.

(obrigada a Maria da Fonseca
que mo enviou)