(Pintura de Malhoa)

A Luís Vaz de Camões – lembrando o seu exílio na linda Vila de Constância, por Eugénio de Sá ( Inédito )

A Luís Vaz de Camões

( lembrando o seu exílio na linda vila de Constância )

Eugénio de Sá

Prouvera eu não ousasse, mas ousei

Alevantar meus olhos para aquela

Que prometida estava por meu rei

A fidalgo mais nobre e digno dela

E assim, aceito este triste desterro

Onde por régia ordem me verei

Na contrição ditada por meu erro

Que me sirva o castigo e aqui serei

Mas este casario é tão formoso;

Constância resplandece docemente

Do Ribatejo é canto esplendoroso

Contemplando dois rios, alegremente

Neles me atenho pois c’o pensamento

Posto na corte e na minha cidade

Da primeira não choro o afastamento

Mas de Lisboa, ah, quanta saudade!

Vejo o passar das águas caudalosas

Desta janela banhada plo sol

Passam também as moças graciosas

E a fronte se lhes banha em arrebol

E vou escrevendo versos ao meu Tejo

Que daqui onde estou vejo passar

A eles me dou como se fora um beijo

Que as suas águas levassem pro mar

(recebido de Maria da Fonseca)