Fonte: OBVIOUS

Os sonhos femininos por Grete Stern

em Fotografia por Fernanda Pacheco em 13 de nov de 2012

A fotógrafa Grete Stern, nascida na Alemanha e de origem judia, exilou-se na Argentina durante o nazismo e a partir disso, começou a criar fotomontagens que ilustravam os sonhos das leitoras da revista Idilio e ao mesmo tempo, criticavam o papel da mulher na sociedade argentina.

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© Grete Stern. Café Concert, 1948

Grete Stern (1904 – 1999) nasceu em uma família de judeus na Alemanha e como outros milhares, teve que fugir de seu país durante o nazismo de Adolf Hitler para exilar-se na Argentina, mas antes da ascensão desse regime, Stern já havia começado uma grande carreira fotográfica associando-se a Ellen Auerbach e abrindo em Berlim o estúdio fotográfico ringl + pit. Desenvolveu na linguagem experimental, publicitária e nos retratos as novas sintaxes da Nova Visão e da Nova Objetividade, mas foi obrigada a fechar o estúdio por conta do novo regime que comandava seu país.

Grete Stern

Foi em 1936, em Buenos Aires, que passou a deixar suas raízes germânicas para assumir sua nova identidade nacional que passou a influenciar demasiadamente sua produção artística.

O auge de sua carreira se deu por volta de 1948 quando foi convidada para ilustrar os sonhos das leitoras da revista feminina Idilio, na coluna “El Psicoanálisis le Ayudará” (A psicanálise o ajudará). As moças escreviam sobre seus sonhos à revista, e com isso o professor Gino Germani fazia interpretações para explicar a elas o significado. Stern entrava nesse trabalho com suas fotomontagens – muitas vezes surreais e profundas, que também criticavam o papel da mulher na sociedade argentina. Ela colaborou para essa coluna até o ano de 1952! Abaixo algumas fotomontagens publicadas na revista:

© Grete Stern. Artículos eléctricos para el hogar, hacia 1950

© Grete Stern. Amor sin ilusión, hacia 1951

© Grete Stern. Made in England, hacia 1950

© Grete Stern. Botella del mar, 1950

© Grete Stern. Sem título, 1949

© Grete Stern. Sem título, 1948

Fora esse trabalho, Stern tinha uma capacidade imensa de criar e desenvolver imagens abordando temas como suas experiências antropológicas com os aborígines do norte argentino. Grete Stern é um dos maiores símbolos da fotografia contemporânea, com uma gama intensa de interpretações sobre os aspectos da vida. Você pode conferir mais trabalhos dela no site lesgou.com

QUIMERA de Maria Luisa Adães

Parei
A uma porta aberta

Entrei na descoberta
Dessa porta

E me parecia
Feita de alegria.

Pensei, de imediato pensei,
Eu vou viver para sempre

E vou amar para sempre
E ninguém vai morrer na minha vida,

Nem eu
Nem os outros…

Eu tinha encontrado
O Palácio da Quimera!

A minha mente ocupada e submersa
No meu próprio Eu

Viu a cidade corrida
Que não dorme
E nunca está cansada.

Razões muito fortes
Me levaram
E eu esqueci essas razões
E entrei pela porta encantada.

Quem era eu
Qual o meu nome
Alguém de uma história
Mal contada?

E o amor que deixei
E o avião que te levou
Para o outro lado do Oceano

Onde estava
Todo o teu canto de amor?

E fiquei olhando a quimera do meu sentir
Da minha mente absorta
E louca

E dancei a mesma dança
Como se fosse criança.

(sugiro uma visita a seu blogue:
http://os7degraus.blogspot.pt

C A S A

Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:

era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão. . .

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração.

David Mourão-Ferreira
Balthus, The white skirt 1937

(extraído da página do Facebook
de Anabela de Araújo,com a
devida autorização)

A 16/11/1922 nasceu em Azinhaga(Ribatejo) José de Sousa Saramago

que viria a ser galardoado em 1998 com o Prémio Nobel da Literatura.

Foto: Saramago na sua casa em Lanzarote. Fonte(Sapo Notícias)

Saramago poeta:

……………………………..

No Coração, Talvez

________________

No coração, talvez, ou diga antes:

Uma ferida rasgada de navalha,

Por onde vai a vida, tão mal gasta.

Na total consciência nos retalha.

O desejar, o querer, o não bastar,

Enganada procura da razão

Que o acaso de sermos justifique,

Eis o que dói, talvez no coração.


José Saramago, in “Os Poemas Possíveis”

(Fonte www.citador.pt)

E o trailer do filme demonstrativo do grande amor entre Pilar e José.

<”


E em 2010 José Saramago morreu fisicamente. Ficou a sua obra que muitos de nós

posssuímos nas nossas casas, que estão espalhadas por muitas Bibliotecas pelo

mundo fora e também se encontram na Fundação José Saramago antiga Casa dos Bicos

em Lisboa. Frente à sede da sua Fundação encontra-se uma oliveira debaixo da

qual foram depositadas as suas cinzas.

A Fundação já está aberta ao Público. Eu já a visitei.

Esta é a m/pequena homenagem a José Saramago, tendo em conta a data do seu
nascimento: 16/11/1922.
Irene Alves

É conveniente saber e lembrar…

E O SALAZAR É QUE ERA FASCISTA, HA HA HA…
Será que o pessoal está tão distraído que não dá por nada?
Estará tudo tão bloqueado que ninguém consegue dar a volta?

em 1960
Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês.
Corria o ano de 1960 quando foi publicada no “Diário do Governo” de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da República, e de A. Oliveira Salazar, Presidente do Conselho de Ministros.
Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro “Salazar e os milionários”, publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse. Eram abrangidos os organismos estatais, as empresas concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação accionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou “que explorassem actividades em regime de exclusivo”. Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes.
E que dizia, em resumo, a Lei 2105?
Dizia simplesmente que quem quer que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública não podia ganhar mais do que um Ministro.
Claro que muitos empresários logo procuraram espiolhar as falhas e os buraquinhos por onde a Lei 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido pois a redacção do diploma permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, “receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros”.

A publicação desta lei altamente moralizadora, que ocorreu no período do Estado Novo de Salazar, fará muito brevemente 50 anos.

Em 13 de Setembro de 1974, catorze anos depois da lei “fascista”, e seguindo sempre as explicações do livro de Pedro Castro, o Governo de Vasco Gonçalves, militar recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105/60 e, pelo Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado. Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o Dec.-lei 446/74, pura e simplesmente reduziram os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do vencimento de um Ministro para uma vez e meia o vencimento de um Secretário de Estado. O Decreto- Lei 446/74 justificava a alteração nos referidos vencimentos pelo facto da redacção pouco precisa da Lei 2105/60 permitir “interpretações abusivas”, o que possibilitava “elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma”.

Ao lermos hoje esta legislação, parece que se mudámos, não de país mas de planeta, pois tudo isto se passou no tempo do “fascismo” (Lei 2105/60) e do “comunismo” (Dec.-Lei 446/74). Agora, está tudo muito melhor, sobretudo para esses ?reis da fartazana? que são os gestores estatais dos nossos dias: é que, mudando-se os tempos mudaram-se as vontades e, onde o sector do Estado pesava 17% do PIB, no auge da guerra colonial, com todas as suas brutais despesas, pesa agora 50%. E, como todos sabemos, é preciso gente muito competente e soberanamente bem paga para gerir os nossos dinheirinhos.
Tão bem paga é essa gente que o homem que preside aos destinos da TAP, Fernando Pinto, que é o campeão dos salários de empresas públicas em Portugal (se fosse no Brasil, de onde veio, o problema não era nosso) ganha a monstruosidade de 420.000 euros por mês, um “pouco” mais que Henrique Granadeiro, o presidente da PT, o qual aufere a módica quantia de 365.000 mensais.
Aliás, estes dois são apenas o topo de uma imensa corte de gente que come e dorme à sombra do orçamento e do sacrifício dos contribuintes, como se pode ver pela lista divulgada recentemente por um jornal semanário, onde vêm nomes sonantes da nossa praça, dignos representantes do despautério e da pouca vergonha a que chegou a vida pública portuguesa.
Assim – e seguindo sempre a linha do que foi publicado – conhecem-se 14 gestores públicos que ganham mais de 100.000 euros por mês, dos quais 10 vencem mais de 200.000. O ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o mesmo que estima à centésima o valor do défice português, embora nunca tenha acertado no seu valor real, ganhava 250.000 euros/mês, antes de ir para o exílio dourado de Vice-Presidente do Banco Central Europeu.
Entretanto, para poupar uns 400 milhões nas deficitárias contas do Estado, o governo não hesita em cortar benefícios fiscais a pessoas que ganham por mês um centésimo, ou mesmo 200 e 300 vezes menos que os homens (porque, curiosamente, são todos homens..) da lista dourada que o “Sol” deu à luz há pouco tempo.
Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês.
Não é preciso muito, nem sequer é preciso ir tão longe como o DL 446/74 de Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar:
Basta ressuscitar a velhinha, mas pelos vistos revolucionária Lei 2105/60, assinada há 50 anos por Oliveira Salazar

(retirado da página de Facebook
de Ana Martins)

Portugal está na pobreza
Mas a Língua Portuguesa
Continua a enriquecer,
Já era uma Língua rica
Se agora mais rica fica
É o que está p’ra se ver.

Há vocábulos usados
Com vários significados
Denominados homónimos;
Também se exprime a preceito
Uma ideia ou um conceito
Usando vários sinónimos.

Está neste caso “ ROUBAR “
“ FURTAR “,“ DESAPROPRIAR “
“ SURRIPIAR” e “ EXTORQUIR”;
“ RAPINAR” ou “ SAQUEAR “
“ ESBULHAR “e “ GATUNAR “
“ PILHAR “ e “ SUBTRAIR “.

“ PALMAR “ e “ LARAPIAR “
“ BIFAR “, “PIFAR “, ou “ GAMAR”
Mesmo que seja em calão;
“ ASSALTAR “ ou “ SALTEAR “
“ TIRAR “, “ LIMPAR “, “ DESPOJAR”,
Tem tudo a mesma acepção.

“ CONFISCAR “, “ DESAPOSSAR “,
“ APROPRIAR “, “ ESPOLIAR “
São conceitos semelhantes;
“ RIPAR “ e “AMARFANHAR “
“ ARREPANHAR “, “ EMPALMAR “,
Larápios são uns tratantes.

Surge agora um novo termo
Criado por um estafermo
Que nos está a “ (des ) governar”;
Com imprevidentes “ PASSOS “
Fazendo de nós palhaços
Inventa o verbo … ” gaspar “.

“ GASPAR “ é neologismo
Que nos lança para o abismo
Num desastre humanitário;
Mesmo com o país enfermo
Vamos extirpar tal termo
Do nosso vocabulário.

(Autor desconhecido)

PARA QUE NASCEMOS?

Tenho feito esta pergunta muita vez a mim mesma?

Nascer é um acto que não parte de nós próprios, alguém coloca
um filho/a no mundo e depois disso há uma curta ou longa
caminhada.

Sei que a maior parte do tempo de uma vida é de sofrimento e
uma menor de alegria. A dose depende de várias circunstâncias
e muita vez fora do alcance do próprio…

Muita vez “senti” que a vida teria que ter uma justificação…
e que as sociedades deviam ter em conta “que os meios disponíveis
deveriam ser repartidos de uma forma justa por todos…”

Infelizmente isso nunca sucedeu, e falando – pelo sítio onde nasci e
vivo “Portugal” – hoje em dia, é extremamente difícil encontrar um
sentido positivo, na forma como os governantes querem que vivamos…

-isto é, que sejamos cada vez mais pobres!!!-

Já há quem ache que se não se conseguir comer bifes todos os dias…
(também quem o faria? Enjoava…) até já em programas de televisão
nos ensinam a poupar, não fazendo(ex.):

não ir arranjar unhas
não ir pintar o cabelo
não ir tomar um café
não ir comer um bolo
não isto e aquilo, que nem vale a pena continuar(tal a estupidez) desses ensinamentos!!!

Então para que se vive? Trabalhar…Trabalhar…Trabalhar e trazer
muito pouco dinheiro para casa(e depois não comer, não fazer, não viver…)

E se já se está reformado: para quê “ainda ter vícios” querer VIVER
com algumas coisas que dêem prazer?!!! Qual quê, já viveu agora
espere pela morte quietinho em casa…

Eu não pedi para nascer (juro) mas quero viver com dignidade e ter alguns vícios como comer um bolo ou beber um café fora de casa…posso?

E esses cérebos que se põem a dar tais conselhos querem que mais
comércio feche? Que mais trabalhadores fiquem sem emprego?
que o sítio onde moramos fique mais triste?

Já agora não nos querem aconselhar a que não morremos da forma
habitual e que pura e simplesmente nos desintegremos?

Estou farta!!! Oh, pais, porquê que eu nasci ?!!!

Fonte: OBVIOUS

Para onde estamos indo?

por Rafaela Werdan em 06 de nov de 2012

Pra onde vão os vagalumes quando o dia chega?

E a música? pra onde vai a música depois que nossos silenciosos ouvidos abruptamente as engole como se em desespero quisessem aprender a falar? Para onde vai a tristeza não chorada? E as milhares de cores que os bebês enxergam nos primeiros meses de vida no mundo? Para onde vão essas cores depois que esses bebês crescem e perdem a capacidade de enxergar o mundo por conta própria? Para onde vai o prazer depois do orgasmo? Vai para o sangue, pele, coração ou para as teorias de atração da física quântica?

Para onde vai toda a gente na rua? Estão a andar em círculos? Para onde vai a ideia errada depois de criada a ideia certa? Vai para a alma da ideia certa e fica lá esperando para sair com o intuito de liberta-la de suas certezas inflexíveis? Para onde vão as nuvens? Será que vão para onde tempo está indo? E as escadas, afinal, servem para subir ou para descer? Pra onde elas vão? Para onde vai o amor depois que acaba? Que grande dúvida, o amor foi criado para durar pra sempre dizem os homens, mas por que uma hora ele nos abandona? Pra onde ele vai? Será que o vazio de todo o espaço ao nosso redor o engole? E os abraços que nunca pudemos dar pra onde vão? Ficam presos em nossos braços causando tensão nos ombros ou ficam eternamente debaixo de nossa perecível pele tentando cobrir-se do frio do solitário mundo sem abraços?

Para onde vai a memória do humano depois que ele morre? Para onde os insetos naturalmente querem ir? O que faz eles irem a algum lugar? O que faz eles andarem ou pararem? O que faz com que eles queiram se reproduzir, viver e morrer? Para onde vão os milhares de meteoros nascidos da desconstrução de alguma fatigada matéria? Estarão condenados a viajar sozinhos pelo vazio para todo o sempre? Quando o sempre terminar onde terão chegado? Para onde iriam as teorias religiosas sobre o paraíso se os homens conseguissem enxergar a magnitude dos mares, flores, vulcões, sementes e mulheres bem aqui nesse mundo? Será que finalmente chegariam ao paraíso sem ter que morrer para enxerga-lo de olhos fechados?

Por que o universo me faz fazer tantas perguntas? Ele quer ser desvendado antes de colidir com um outro universo e perder pra sempre a identidade atual como um cérebro perde sua identidade para o Alzheimer? Será que o universo quer ser salvo? Os cientistas dizem que ele está avançando rápido, está sendo puxado, talvez contra a própria vontade… E então pra onde estamos indo? Pra onde iriam o masculino e feminino se finalmente se compreendessem por completo? Seus corpos se
transformariam e virariam um só como no inicio dos tempos? Pra onde iria o tempo se parássemos os relógios? Pra onde vai o Adeus depois do último encontro? Será que ele senta em um banquinho escuro dentro da alma e fica lá esperando que alguém o resgate dele mesmo?

Incrível como nada nem ninguém pode nos dar respostas para quase todas essas perguntas. Nem o físico mais aplicado; nem o pastor mais devoto; nem o pássaro mais livre; nem os amigos mais confiáveis; nem o beijo mais amoroso; nem mesmo o confuso e esperto filósofo. Não há o que fazer! Nesse momento só temos o ar livre utilizando de nosso corpo para saber o que é prisão. Temos em nossa alma o vigor de uma estrela que acabou de surgir mas que logo explodirá. Temos a memória como única Deusa a ser idolatrada, pois sem ela não somos nada. E temos a consciência da morte para que possamos desfrutar ao máximo o maior milagre do universo: a vida! Uma vida cheia de ausências, e por isso mesmo, infinita em possibilidades.