Melhor curta metragem do Festival de Berlim e outros…

A maior Flor do Mundo – José Saramago

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se um poema incomoda muita gente…

A sala ficou gelada e houve poucos aplausos, quando o bastonário terminou a sua intervenção de abertura do Ano Judicial. Marinho e Pinto concluiu o seu «sexto e último discurso na cerimónia» considerando que a sua ausência no futuro «vai agradar a muitos», incluindo a si próprio.

Prestes a terminar o mandato como bastonário, diz que abandonará a sala com a consciência de que «disse tudo o que havia para dizer», «tudo o que devia ser dito». E hoje – à semelhança dos discursos feitos em outros anos, que foram sempre rematados com uma citação de um poeta – Marinho e Pinto escolheu a «exaltação clarificadora» de um poema de Ary dos Santos, na qual introduziu a palavra advogado:

«Serei tudo o que disserem

por inveja ou negação:

cabeçudo, dromedário

fogueira de inquisição

teorema, corolário

poema de mão em mão

lãzudo, publicitário

malabarista ,cabrão

Serei tudo o que disserem:

Advogado, castrado não.»

O poema escolhido gelou a sala e a tribuna onde se sentavam o Presidente da República, Cavaco Silva, o Patriarca de Lisboa, José Policarpo, o presidente do Supremo, Noronha do Nascimento , a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz e a procuradora geral da República Joana Marques Vidal.