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A PORTUGAL

Meu Portugal, meu berço de inocente,
lisa estrada por onde andei, débil infante,
variado jardim do adolescente,
meu laranjal em flor sempre odorante,
minha tarde de amor, meu dia ardente,
minha noute de estrêlas rutilante,
meu vergado pomar de um rico outono,
sê meu berço final no último sono!

Costumei-me a saber os teus segredos
desde que soube amar; e amei-os tanto!…
Sonhava as noutes de teus dias ledos,
afogado, de enlêvo, em riso e em pranto.
Quis dar-te hinos de amor; débeis os dedos
não sabiam soltar da lira o canto,
mas … amar-te o esplendor de imenso brilho
– eu tinha coração e era teu filho!…

JARDIM DA EUROPA À BEIRA-MAR PLANTADO
e louros e de acácias olorosas,
de fontes e de arroios serpeado,
rasgado por torrentes alterosas,
onde num cêrro erguido e requeimado
se casam em festões jasmins e rosas;
balsa virente de eternal magia,
onde as aves gorgeiam noute e dia!

O que te desdenhar, mente sem brio
ou nunca viu teus prados e teus montes
ou nunca, ao pôr do sol de ameno estio,
viu franjas de ouro e rosa os horizontes,
ondas de azul e prata em ada rio,
as perlas e os rubis de tuas fontes,
nem de teus anjos – térreo paraíso –
sentiu o magnetismo num sorriso.

Pátria! Filha do sol e das primaveras,
rica dona de messes e pomares,
recorda ao mundo ingrato as priscas eras
em que tu lhe ensinaste a erguer altares.
Mostra-lhe os esqueletos das galeras
que foram descobrir mundos e mares …
Se alguém desprezar teu manto pobre,
ri-te do fátuo que se julga nobre!

Tomás Ribeiro, D. Jaime

(da página de Facebook
de Adelina Velho da Palma)

Do livro Os Deuses de Pedra de Rosa Lobato de Faria

HOJE É DIA MUNDIAL DA POESIA, e este blogue tem dedicado muito do seu espaço
à POESIA. Aqui estão poemas de muitos poetas e poetisas de vários países.
Hoje quero inserir um poema de Rosa Lobato de Faria, que infelizmente já
partiu, mas deixou-nos a sua poesia. Através dela a minha homenagem a todos
que foram abençoados com o saber e sensibilidade para criar poesia.

barra azul

Se eu morrer de manhã

abre a janela devagar

e olha com rigor o dia que não tenho.

Não me lamentes. Eu não me entristeço:

ter tido a noite é mais do que mereço

se nem conheço a noite de que venho.

Deixa entrar pela casa um pouco de ar

e um pedaço  de céu

– o único que sei.

Talvez um pássaro me estenda a asa

que não  sabe voar

foi sempre a minha lei.

Não busques o meu hálito  no espelho.

Não chames o meu nome que eu não venho

e do mistério nada te direi.

Diz que não estou se alguém bater à porta.

Deixa  que eu faça o meu papel de morta

///

cin11GRATIDÃO – Efigenia Coutinho
Dedicado aos Escritores

Coisa linda é a vida, vai nascendo
da jornada de meus trabalhos,
o alimento de muitas almas queridas,
como um pássaro beirando nuvens.

Lá do alto, em seus vôos, contemplam
os campos floridos, corredeiras de rios
fertilizantes, montanhas majestosas,
e planícies com suas brumas suaves!

Assim como ele, por asas libertas,
Páramo de sonho, vou enfeitando meu
coração, com este sentimento Gratidão.
Hoje ofereço estes versos aos POETAS!

Sou Ave, presa às folhas duma janela:
– Entreato de flores e frutos,junto-me
em laços ao Futurecer de espaços
abertos, para novos horizontes!…

21 DE Março 2013

A BOCA DAS BOCAS – David Mourão-Ferreira(do livro As Lições do Fogo)

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Apenas uma boca. A tua boca
Apenas outra. A outra tua boca
É Primavera. E ri a tua boca
de ser Agosto já na outra boca

Entre uma e outra voga a minha boca
E pouco a pouco a polpa de uma boca
inde há pouco na popa em minha boca
é já na proa a polpa de outra boca

Sabe a laranja a casca de uma boca
Sabe a morango a noz de outra boca
Mas que sabe entretanto a minha boca

Que apenas vai sentindo em sua boca
mais rouca do que boca a minha boca
mais louca do que a boca a tua boca

Habemus Papam

franciscopapa

Eram 18.06 H. quando começou a sair da chaminé fumo branco a anunciar
que havia Papa.

Novo papa é o argentino Jorge Mario Bergoglio: papa Francisco

O papa Francisco aparece no balcão central da Basílica de São Pedro pela primeira vez como Sumo Pontífice Foto: AP

O novo papa da Igreja Católica é o argentino Jorge Mario Bergoglio, 76 anos. Francisco, como ele escolheu ser chamado, apareceu no balcão central da Basílica de São Pedro às 20h14 (16h14 de Brasília) e, falando em italiano, se dirigiu aos fiéis reunidos na Praça São Pedro. Vestido inteiramente de branco, ele apareceu cerca de 1h20 depois da fumaça branca que anunciou sua escolha.

“Irmãs e irmãos, boa noite”, foram as primeiras palavras de Bergoglio como papa. “Parece que os cardeais foram buscar o novo pontífice no fim do mundo”, disse na sequência, em referência a seu país.

O anúncio do nome do novo papa foi feito pelo cardeal protodiácono francês Jean-Louis Tauran às 20h14 (16h14). Do balcão da basílica, ele proferiu a tradicional frase Habemus Papam, anunciando na sequência o novo líder da Igreja Católica.

Francisco, alcunha que homenageia São Francisco de Assis e nunca tinha sido usada, é o primeiro papa sul-americano. Após suas primeiras palavras, ele pediu uma oração em nome do Papa Emérito Bento XVI e conduziu o “Pai Nosso”, reproduzido em coro pela multidão de fiéis. Em seguida, proferiu a bênção Urbi et Orbi (da cidade para o mundo), encerrando, assim, o protocolo oficial do Conclave papal.

Jorge Bergoglio, 76 anos, tem origem jesuíta e ficou conhecido por haver sido responsável na América Latina pela redação do documento sobre o segredo de Aparecida. Figura controvertida no cenário argentino, ele se destaca por sua forte personalidade e pelo afrontamento declarado à atual força política do país, o Kirchnerismo.

Bergoglio foi nomeado cardeal em 2001 por João Paulo II e atualmente era o arcebispo da capital argentina. O novo papa não estava entre os principais cotados por especialistas, nem por casas de apostas.

O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi escolhido novo papa da Igreja Católica. Bergoglio nasceu em 1936 em Buenos Aires. Ele foi nomeado cardeal em 2001 por João Paulo II. O novo papa não estava entre os principais cotados por especialistas, nem por casas de apostas. Ele é o primeiro papa sul-americano. O nome Francisco é uma homenagem a São Francisco de Assis

Foto: Getty Images

Após quatro votações inconclusivas em pouco menos de 24 horas, a fumaça branca apareceu às 19h05 (15h05, de Brasília) desta quarta-feira ao fim do quinto escrutínio, para a alegria e emoção da multidão reunida.

Entre a fumaça e o anúncio do nome do eleito, o público celebrou e entoou coros de “viva, o Papa”. A multidão também reagiu intensamente quando uma banda executou o hino italiano dentro das dependências da praça.

O Conclave
O cerimonial do Conclave papal iniciou na manhã de terça-feira (dia 12), com a realização da missa Pro Eligendo Papa. Na parte da tarde, os 115 cardeais se reuniram na Capela Sistina e prestaram, um por um, juramento de manter segredo durante a duração do processo eleitoral. Em seguida, as portas foram fechadas. Às 19h42 (15h42 de Brasília), a primeira fumaça negra foi expelida, indicando que o primeiro dia acabava sem que um papa fosse escolhido.
Fiéis presentes na Praça São Pedro, no Vaticano, comemoram anúncio de novo papa depois que a chaminé da Capela Sistina soltou a fumaça branca Foto: Reuters

Os cardeais retomaram a votação por volta das 9h30 (5h30) desta quarta-feira. Por volta das 11h40 (7h40), a chaminé voltou a expelir fumaça negra, o que significa que um consenso não foi alcançado nas duas votações do turno da manhã. Os cardeais voltaram a se reunir na parte da tarde e acredita-se que um escrutínio tenha ocorrido sem que fumaça alguma fosse expelida. Na última votação do dia, eles chegaram a um consenso.

Renúncia de Bento XVI
Após cerca de oito anos de papado, Bento XVI surpreendeu o mundo na manhã do dia 11 de fevereiro e anunciou durante um encontro rotineiro com os cardeais que estava renunciando ao posto e deixaria o comando da Igreja Católica no dia 28 de fevereiro. A primeira vez que um papa abandonou o cargo em 600 anos. Joseph Ratzinger alegou que sua “idade avançada” já não lhe permitia exercer suas funções adequadamente.

Ao deixar o posto de papa, Bento XVI se transferiu para a residência papal de verão em Castel Gandolfo no dia 28, onde está até o presente momento aguardando pela reforma de um apartamento no Vaticano que deve lhe servir de moradia no futuro. A partir de sua renúncia, ele passou a ser conhecido Papa Emérito Bento XVI.

Após a renúncia ser oficializada, o Colégio Cardinalício iniciou um processo de deliberações que culminou com a convocação do Conclave papal para o dia 12 de março.​

Fonte:notícias.terra.com.br

Fonte: OBVIOUS

amor

O amor hesita

Chega manso como um sopro, leve como um pedaço de nuvem.
Vem para ficar. Suave, depois forte, depois manso.
É o amor. Como só ele pode – e deve – ser.

O amor é pequenino. Ou, pelo menos, começa assim.
Nas mãos da mãe que nos tocam devagar enquanto nos afagam o cabelo ainda fino.
E nos olhos.
Começa também nos olhos.
Naquele olhar doce e cansado que quase ainda não vemos, mas que sentimos no coração que bate ao ritmo dos pássaros e que sabe – e sente – que aquele amor é para sempre.
Depois cresce. Fica grande, invade tudo.
E amamos um boneco e uma manta, e um desenho e um novelo de lã.
Amamos tudo. Tudo cabe no nosso espaço.
Amamos quem nos ama, sobretudo.
Somos heróis sem capa nem espada, centro daquele mundo que sabemos ser só o nosso.
(ninguém nos disse que é assim: mas as certezas que nascem no coração, mesmo naquele que ainda bate ao ritmo dos pássaros, são mais fortes que quaisquer argumentos trazidos pela razão que ainda não conhecemos nem queremos conhecer)

Passa o tempo. Passamos no tempo.

As mãos da mãe já não guardam tudo, o mundo já é mais do que aquilo que os nossos olhos conseguem alcançar.
E num segundo de curva, devagar, disfarçado de ruído ou de silêncio, chega o amor.
Simples mas tão complexo, belo mas tão trágico,
capaz de arrancar
ao mesmo instante
as lágrimas e os sorrisos que guardamos e queremos soltar.
Hesitante, firme, arrebatador.
Como só o amor consegue ser.

Passa o tempo, passamos no tempo.

Os olhos sorriem cansados, enquanto cheiramos a pele doce que é parte de nós.
Do nosso amor.
Aquele que já não arrebata (ou ainda sim, não sei) mas que agora aquece;
que já não é ruído mas sim sopro;
que já não hesita mas é seguro.
Imenso. Forte. Firme.
Lágrimas e os sorrisos misturam-se, e já não os desejamos guardar:
preferimos sentir.
E é bom.

Passa o tempo, passamos no tempo.

Hesitamos em pedir amor.
Não sabemos se ainda temos direito a ele, se é justo desejar – será que demos o suficiente? – aquilo que só entregámos algumas vezes.
As mãos pequenas da carne da nossa carne afagam-nos o cabelo já fino, e o nosso olhar ainda doce mas já cansado sorri com a força que o corpo já não tem.
O coração já não bate ao ritmo dos pássaros. É lento, calmo, sossego.
Chegámos àquele segundo de curva, e podemos por fim descansar.
O amor?, esse, sereno. Seguro. Tranquilo.
Como só uma vida
nele e com ele vivida
poderia dar.