Fonte: OBVIOUS

amor

O amor hesita

Chega manso como um sopro, leve como um pedaço de nuvem.
Vem para ficar. Suave, depois forte, depois manso.
É o amor. Como só ele pode – e deve – ser.

O amor é pequenino. Ou, pelo menos, começa assim.
Nas mãos da mãe que nos tocam devagar enquanto nos afagam o cabelo ainda fino.
E nos olhos.
Começa também nos olhos.
Naquele olhar doce e cansado que quase ainda não vemos, mas que sentimos no coração que bate ao ritmo dos pássaros e que sabe – e sente – que aquele amor é para sempre.
Depois cresce. Fica grande, invade tudo.
E amamos um boneco e uma manta, e um desenho e um novelo de lã.
Amamos tudo. Tudo cabe no nosso espaço.
Amamos quem nos ama, sobretudo.
Somos heróis sem capa nem espada, centro daquele mundo que sabemos ser só o nosso.
(ninguém nos disse que é assim: mas as certezas que nascem no coração, mesmo naquele que ainda bate ao ritmo dos pássaros, são mais fortes que quaisquer argumentos trazidos pela razão que ainda não conhecemos nem queremos conhecer)

Passa o tempo. Passamos no tempo.

As mãos da mãe já não guardam tudo, o mundo já é mais do que aquilo que os nossos olhos conseguem alcançar.
E num segundo de curva, devagar, disfarçado de ruído ou de silêncio, chega o amor.
Simples mas tão complexo, belo mas tão trágico,
capaz de arrancar
ao mesmo instante
as lágrimas e os sorrisos que guardamos e queremos soltar.
Hesitante, firme, arrebatador.
Como só o amor consegue ser.

Passa o tempo, passamos no tempo.

Os olhos sorriem cansados, enquanto cheiramos a pele doce que é parte de nós.
Do nosso amor.
Aquele que já não arrebata (ou ainda sim, não sei) mas que agora aquece;
que já não é ruído mas sim sopro;
que já não hesita mas é seguro.
Imenso. Forte. Firme.
Lágrimas e os sorrisos misturam-se, e já não os desejamos guardar:
preferimos sentir.
E é bom.

Passa o tempo, passamos no tempo.

Hesitamos em pedir amor.
Não sabemos se ainda temos direito a ele, se é justo desejar – será que demos o suficiente? – aquilo que só entregámos algumas vezes.
As mãos pequenas da carne da nossa carne afagam-nos o cabelo já fino, e o nosso olhar ainda doce mas já cansado sorri com a força que o corpo já não tem.
O coração já não bate ao ritmo dos pássaros. É lento, calmo, sossego.
Chegámos àquele segundo de curva, e podemos por fim descansar.
O amor?, esse, sereno. Seguro. Tranquilo.
Como só uma vida
nele e com ele vivida
poderia dar.

Autor: sinfoniaesol

Viver é o mais importante de tudo e se for com amizade, amor e saúde, que mais pedir?Viva a Vida!!!

5 opiniões sobre “Fonte: OBVIOUS”

  1. Mas que lindo, amiga. Aqui está resumido o grande amor de mãe, um amor que não mais acaba, quaisquer que sejam as circunstâncias Costuma-se dizer que ser mãe é sofrer no paraíso e é mesmo. Pela vida fora a mãe sofre e se alegra com os seus filhos; o mais pequeno problema com os seus amores a mãe sofre e tenta sempre resolver, muitas vezes sem que alguém dê conta do seu trabalho na sombra. Um filho é o maior presente que uma mulher pode ter da vida, um presente que ela guarda com o maior carinho até ao fim da sua caminhada. Obrigada por este belo momento; revi-me nele e me emocionei.. Um beijinho e fica bem
    Emília.

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