FLORES DE ABRIL

an3
Aos nossos olhos,
nas praças e nas ruelas mais íntimas,
nos olhares e na fronte dos traseuntes,
nas paredes e nos telhados das casas,
e até nos comboios
e nos carros que passam,
ouve-se um canto
que denuncia o que sentimos.

Um canto que gravamos a fogo
com o estilete do amor
no tronco da vida, ao som das cotovias,
um sobe e desce que desenha as letras
com o tamanho do impulso
que as nossas asas combinadas
acrescentam
ao moinho da felicidade comparsa.

Cantamos indiferentes às flores de Abril
e à paz que nos inunda,
como quem empunha uma arma
e dispara em legítima defesa,
alheios, no amor, à virtude e à incerteza.

Nilson_Barcelli

(imagem do poeta chinês AN HE)

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http://nimbypolis.blogspot.com