William Shakespeare – Soneto 19 e EU TE DESPERTAREI – Célia Laborne

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Tempo voraz, corta as garras do leão,
E faze a terra devorar sua doce prole;
Arranca os dentes afiados da feroz mandíbula do tigre,
E queima a eterna fênix em seu sangue;
Alegra e entristece as estações enquanto corres,
E ao vasto mundo e todos os seus gozos passageiros,
Faze aquilo que quiseres, Tempo fugaz;
Mas proíbo-te um crime ainda mais hediondo:
Ah, não marques com tuas horas a bela fronte do meu amor,
Nem traces ali as linhas com tua arcaica pena;
Permite que ele siga teu curso, imaculado,
Levado pela beleza que a todos sustém.
Embora sejas mau, velho Tempo, e apesar de teus erros,
Meu amor permanecerá jovem em meus versos.

(William Shakespeare – Tradução de THEREZA CHRISTINA MOTTA)

Fonte; A Magia da Poesia

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EU TE DESPERTAREI
Célia Laborne

Quando o eterno movimento das areias
florecer ao leve toque do vento,
eu te despertarei, oh! meu querido.

Renascidas estão as manhãs
e o orvalho condensa pérolas
nos lírios.
Quando a pureza atingir
a fonte da vida,
sob o carinho dos sonhos,
eu te despertarei,
oh! doce amado.

Reveladas estão as chuvas
sobre árvores frutificadas.
O repouso da noite,
na benção dos sinos,
une nossas vidas
para todo o sempre.