ELOGIO AO BOM SENSO – Eduardo Galeano

Bom senso

“Ao amanhecer de um dia nos fins de 1985, as rádios colombianas informaram:
A cidade de Armero sumiu do mapa.

O vulcão vizinho matou a cidade.

[Vulcão Nevado del Ruiz, 13 de novembro de 1985, acréscimo nosso]

Ninguém conse­guiu correr mais rápido que a avalancha de lodo fervente:
uma onda grande como o céu e quente como o inferno atropelou a cidade, jorrando vapor e rugindo fúrias de animal ruim, e engoliu trinta mil pessoas e todo o resto.

O vulcão vinha avisando há um ano.

Um ano inteiro ficou jorrando fogo, e quando não podia esperar mais,
des­carregou sobre a cidade um bombardeio de trovões e uma chuva
de cinzas, para que os surdos escutassem e os cegos enxergassem
tanta advertência. Mas o prefeito dizia que o Governo Superior dizia
que não havia motivos para alarme, e o padre dizia que o bispo
dizia que Deus estava cuidando do assunto, e os e os géologos e
os vulcanólogos diziam que tudo estava sob controle e fora de perigo.

A cidade de Armero morreu de civilização.
Não tinha nem cumprido um seculo de vida.
Não tinha hino nem escudo.”

(extraido da pagina de Facebook
de Anabela de Araujo, com a devida
autorização.)

Espreitando a Torre Eifell por hubanash(Fonte OBVIOUS)

toree1torr2torre3torre4tore5torre6torre7Símbolo de Paris e da França, a Torre Eiffel fez um sucesso que
ninguém esperava.Quando foi construída em 1889.
Ela recebe todos os anos cerca de 7 milhões de visitantes e
consolidou-se como um Monumento da História da humanidade.

Uma das torres, mais famosas do mundo, um verdadeiro monumento arquitetônico, foi construída por Gustave Eiffel para a Exibição Universal de 1889, realizada por ocasião da comemoração do centenário da Revolução Francesa. Por isso, tinha que ser, uma estrutura revolucionária para a época.

Até a época da construção da Torre Eiffel, que levou dois anos para ser concluída e inaugurada, a edificação mais alta erguida pelos homens era a pirâmide de Quéops, no Egito, com 138 metros de altura e quase cinco mil anos de idade. A Torre Eiffel permaneceu como a construção mais alta do mundo até 1930.

Poesia de HILDA HILST

hilda1hilda
Rasteja e espreita
Levita e deleita
É negro. Com luz de ouro.

É branco e escuro.
Tem muito de foice
E furo.

Se tu és vidro
É punho. Estilhaça.
É murro.

Se tu és água
É tocha. É máquina
Poderosa se tu és rocha.

Um olfato que aspira
Teu rastro. Um construtor
De finitutes gastas.

É Deus.
Um sedutor nato.

( Hilda Hilst )

*

Se a tua vida se estender
Mais do que a minha
Lembra-te, meu ódio-amor,
Das cores que vivíamos
Quando o tempo do amor nos envolvia.
Do ouro. Do vermelho das carícias.
Das tintas de um ciúme antigo
Derramado
Sobre o meu corpo suspeito de conquistas.
Do castanho de luz do teu olhar
Sobre o dorso das aves. Daquelas árvores:
Estrias de um verde-cinza que tocávamos.

E folhas da cor das tempestades
contornando o espaço
De dor e afastamento.

Tempo turquesa e prata
Meu ódio-amor, senhor da minha vida.
Lembra-te de nós. Em azul. Na luz da caridade.”

( Hilda Hilst )

*

Eu não te vejo
Quando teu ódio aflora.
Como poderia
Ver teu ódio e a ti

Iludida
Por uma só labareda da memória?

Cegos, não somos dois.
Apenas pretendemos.
Devorados e vastos
Temos um nome: EFÊMERO.

( Hilda Hilst )

*

Exercício no 1

Se permitires
Traço nesta lousa
O que em mim se faz
E não repousa:
Uma Idéia de Deus.

Clara como Coisa
Se sobrepondo
A tudo que não ouso.

Clara como Coisa
Sob um feixe de luz
Num lúcido anteparo.

Se permitires ouso
Comparar o que penso
O Ouro e Aro
Na superfície clara
De um solário.

E te parece pouco
Tanta exatidão
Em quem não ousa?

Uma idéia de Deus
No meu peito se faz
E não repousa.

E o mais fundo de mim
Me diza apenas: Canta,
Porque à tua volta
É noite. O Ser descansa.
Ousa.

( Hilda Hilst )

*

Lobos? São muitos.

Mas tu podes ainda

A palavra na língua

Aquietá-los.

Mortos? O mundo.

Mas podes acordá-lo

Sortilégio de vida

Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.

Mas se farão milhares

Se à lucidez dos poucos

Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.

E tu mesmo, raro.

Se nas coisas que digo

Acreditares.

( Hilda Hilst )

*

Enquanto faço o verso, tu decerto vives.

Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.

Dirás que sangue é o não teres teu ouro

E o poeta te diz: compra o teu tempo.

Contempla o teu viver que corre, escuta

O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.

Enquanto faço o verso, tu que não me lês

Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.

O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:

“Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas”.

Irmão do meu momento: quando eu morrer

Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:

MORRE O AMOR DE UM POETA.

E isso é tanto, que o teu ouro não compra,

E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto

Não cabe no meu canto.

( Hilda Hilst )

*

Como se te perdesse, assim te quero.

Como se não te visse (favas douradas

Sob um amarelo) assim te apreendo brusco

Inamovível, e te respiro inteiro

Um arco-íris de ar em águas profundas.

Como se tudo o mais me permitisses,

A mim me fotografo nuns portões de ferro

Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima

No dissoluto de toda despedida.

Como se te perdesse nos trens, nas estações

Ou contornando um círculo de águas

Removente ave, assim te somo a mim:

De redes e de anseios inundada.

(II)

Descansa.

O Homem já se fez

O escuro cego raivoso animal

Que pretendias.

( Hilda Hilst )

(Seleção de Fabio Rocha)

Fonte: A MAGIA DA POESIA

DIA DA MÃE(em Portugal) hoje 05/05/2013

Existem mães, que nunca deram à luz, Mas que exercem  Maternidade…     Elas seguem o exemplo de Jesus, E sabem se doar à humanidade. an5Destacam-se por serem dedicadas, Como plantas bonitas, graciosas, Que não dão frutos, mas são delicadas, E ofertam o aroma que há nas rosas. Muitas vão ao encontro dos mais pobres, Porque possuem sentimentos nobres,   E buscam consolar aonde há dor…an2Elas são mães, porque constroem ninhos; Seus corações transbordam de carinhos, E todos, são seus filhos, pelo Amor!… Texto de: Maria Inês Aroeira Braga (…e talvez eu tenha “um pouco destas
mães…)

JOSÉ RÉGIO – Cântico Negro

jsoe´régioVem por aqui” — dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe.
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
— Sei que não vou por aí!

( José Régio )
(Poemas de Deus e do Diabo, 4a ed., Lisboa, Portugália, 1955, pp. 108-110.)

(Fonte: A Magia da Poesia)