de: JOSÉ SARAMAGO

saramago

“Escrever é traduzir.
Mesmo quando estivermos a utilizar a nossa própria língua.
Transportamos o que vemos e o que sentimos para um código convencional
de signos, a escrita…”

“…e deixamos às circunstâncias e acasos da comunicação a responsabilidade
de fazer chegar à inteligência do leitor, não tanto a integridade
da experiência que nos propusemos transmitir…”

“…mas uma sombra, ao menos, do que no fundo do nosso espírito sabemos
bem ser intraduzível, por exemplo…”

“…a emoção para de um encontro, o deslumbramento de uma descoberta,
esse instante fugaz de silêncio anterior à palavra que vai ficar
na memória como o rastro de um sonho que o tempo não apagará por
completo.”

relógio
Sabedoria do Tempo

“Disse o Tempo sabiamente para aquele homem que queria saber o que era mais importante;
o passado que já havia criado o presente, ou o futuro que poderia ser transformado pelo presente.
O Tempo, sábio pela própria existência respondeu calmamente:
– Não há outro tempo que não seja o agora.
O passado foi escrito num determinado “agora” e não pode ser modificado.
O futuro é intangível, haja visto que pode não existir para quem o deseja.
Resta ao homem agradecer cada vez que acorda e focar todo o seu poder no momento atual.
A noite pode chegar para o mundo e para ele não…

Só a ação de hoje pode criar um novo tempo.
Por isso, o sábio vigia os pensamentos e não deixa que eles viajem para o passado que pode trazer dor,
e nem para o futuro que pode alimentar falsas esperanças.
Cuide de ficar neste momento com todos os sentidos ativados.
Assim, o dia lhe parecerá um doce presente.
Embrulhado em lindos laços de fitas dedicado
a alguém tão especial:
-Você!

Paulo Roberto Gaetke

Retirado da página do Facebook
de Anabela de Araújo, com a devida
autorização.

O (SUR)REALISMO DE HARRY HOLLAND por franklin marques 09 de Junho de 2013(Fonte:OBVIOUS)

obvious2obvious1OLYMPUS DIGITAL CAMERAHarry Holland nasceu em Glasgow em 1941 e iniciou seus estudos na St. Martin’s School of Art entre 1965 e 1969. Desde então, seu trabalho extraordinário participou de mais de 30 exposições individuais e figurou outras inúmeras exposições coletivas por todo o mundo.
A partir disso, seu trabalho tem se desenvolvido de maneira importante no seguimento internacional entre colecionadores, graças a sua participação em várias coleções públicas.
Holland é considerado um dos melhores pintores (sur)realistas da Grã Bretanha. Sua técnica envolve traços extremamente reais, mas situações deveras inusitadas.

Esse processo lhe resultou em uma assinatura, processo de busca de todo artista. Sua obra carrega consigo sua própria expressão. As cenas inusitadas expressas em sua obra, tocam de modo mais direto os afetos. Provocando sentimentos mais íntimos, a partir de uma leve nostalgia. Observo que sua obra, caso fosse música, estaria mais próxima de Blues, principalmente pelo mistério que carregam.

ORPHEU: o grupo literário de Fernando Pessoa(Obvious)

196521 marçopessoa-orpheuorpheu

(alguns dos colaboradoes:
Fernando Pessoa- Mário de Sá Carneiro; Sousa Cardoso, Almada Negreiros)
em artes e ideias por Joachin Azevedo em 07 de jun de 2013

Em uma época na qual os livros eram artigos de luxo, as revistas e jornais literários representavam uma alternativa mais econômica para os leitores portugueses. Também era função desses impressos informar o público sobre as tendências dos grupos de artistas e intelectuais que, geralmente, nasciam nos cafés de Lisboa ou outras cidades. A revista “Orpheu” é bastante significativa, nesse sentido, e essencial para que o poeta Fernando Pessoa pudesse divulgar sua produção literária.
Há 125 anos atrás, em 1888, nascia Fernando Pessoa: o mais conhecido e aclamado poeta lusófono modernista. A maioria dos estudos de história da literatura portuguesa coloca a geração de Orpheu – periódico que reuniu um consistente grupo intelectual que contava com, além de Pessoa, nomes como Sá-Carneiro, Almada Negreiros e artistas plásticos como Souza Cardoso e Santa Rita Pintor – em merecida evidência. Certamente, esse período será alvo de comemorações e homenagens por parte de críticos de arte e o mercado editorial irá buscar estimular a leitura da escrita e das memórias sobre os integrantes dessa vanguarda. As principais revistas dessa geração a qual Fernando Pessoa pertenceu foram Orpheu, A Presença e Cadernos de Poesia. A atuação desses escritores nas revistas permanece ofuscada porque os mesmos acabaram sendo mais reconhecidos por causa de suas obras individuais.

Como é peculiar a toda vanguarda, o principal lema da geração Orpheu era não olhar para trás e se concentrar no caminho adiante, no futuro. As metáforas imagéticas e poéticas criadas por toda essa geração remete a temas como asas quebradas; palhaços; a noite e o brilho do sol. Essas preferências tem implicações socioculturais. Assim que foi lançada, em 1915, na cidade de Lisboa, a revista Orpheu foi alvo da ira por parte de escritores conservadores como o poeta católico Ruy Cinatti, que abominou publicamente o periódico por classificá-lo de literatura subversiva. É interessante que essa publicação reuniu escritores e artistas de distintas correntes estéticas. As dissoluções de grupos literários podem ocasionar o surgimento de novos projetos. Por exemplo, o próprio Fernando Pessoa abandonou o grupo Águia para unir-se com os editores e colaboradores de Orpheu.

O tipo de leitor que as revistas e jornais literários procurava cativar, nessa época, era aquele que realiza uma leitura despretensiosa, de fácil compreensão. Já as revistas de vanguarda não se prestam a uma leitura “doseável” porque se destinam a um público exigente intelectualmente, como foi o caso de Orpheu. Assim, os leitores desse impresso são convocados pelos escritores a não deixá-lo morrer comprando-o ou realizando assinaturas. O policiamento do conteúdo dos periódicos iniciado em 1916, em Portugal, será acentuado em 1933 durante a ditadura de Salazar. Para prosseguirem com suas publicações, os editores afirmavam que a revista não possuía conotação política. Os títulos polissêmicos e metafóricos possuíam um poder de sugestão e de sedução muito grande para o leitor. Nome de animais fantásticos, como Unicórnio ou Grifo, para intitular o nome dessas revistas, sugerem que seu conteúdo era mágico.
Em termos políticos e estéticos, o terreno literário de Portugal era movediço entre herança e memória; inovação e ruptura. A postura de vanguarda é inclinada para a aventura, para burlar a ordem. Para Clara Rocha, em Revistas literárias do século XX em Portugal, a vanguarda acaba se tornando contraditória porque também se enquadra nas leis de oferta e procura até acabar entrando para os museus, como patrimônio. Já para o crítico e teórico da literatura Roland Barthes, a vanguarda carrega o signo da marginalidade: ´precisa ser um espinho no sapato da burguesia. O fato é que existe uma dimensão psicológica que motiva toda vanguarda artística: o motor da insatisfação. Orpheu também tinha o intuito chocar esteticamente por meio de temas como o satanismo ou o erotismo.

Entre esse grupo, houve uma enorme circularidade de literaturas estrangeiras. Os integrantes da segunda geração de Orpheu admiravam, sobretudo, os romancistas e sociólogos do Nordeste brasileiro, da safra de 1930, como José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Graciliano Ramos e Jorge Amado. Aspectos da história portuguesa também são decantados em prosa e verso na revista. O tema da saudade será uma constante das revistas das cidades e das províncias e o signo do decadentismo esteve presente nas letras de quase todos os colaboradores do periódico. Fernando Pessoa tornou-se o ícone mais conhecido dessa tendência e chegou a afirmar: “o homem é um cadáver adiado”.

Na verdade, modernistas como Pessoa e Sá-Carneiro sentiram na pele e celebraram o chamado “mal do século”. Oscilando entre a euforia e a depressão, esses autores transformaram temas insólitos como a solidão, por exemplo, em uma constante nas páginas de Orpheu. Pode-se afirmar que a solidão foi a grande musa que inspirou e também incomodou a geração desse impresso. Os Cafés de Lisboa eram tidos como ambientes fraternos para esses escritores. A silhueta intelectual de Pessoa pode ser melhor compreendida se o leitor desse texto conseguir visualizar algo semelhante a um Fausto moderno em busca de desvendar os mistérios da existência. Por isso, Fernando se desdobra em várias pessoas para refletir sobre a ontologia humana de várias perspectivas. O tema da natureza será alvo de reflexões desse poeta, que irá propor um modo visionário de perceber os fenômenos e as paisagens naturais.

São muitos os jogos de progressão e regressão estética no campo da história literária em Portugal no século XX. A revista Orpheu, em franca oposição contra A Águia, Nação Portuguesa e Ideia Nacional – defensoras dos esportes violentos, do nacionalismo e da ditadura militar de Salazar – terminou fadada a acabar por causa de dificuldades financeiras para se manter no mercado. Apesar de ter tido uma trajetória longa, com mais de 200 exemplares publicados e ter contato com a participação de várias gerações diferentes de escritores e artistas portugueses ao longo do século passado, a revista Orpheu permanece em silêncio da década de 1960 até o contemporâneo. Em parte, por ter também rejeitado se enquadrar nos moldes daquelas formas estéticas que são mais acessíveis para o grande público consumidor.

Que é que a Carmen tinha? Fonte: OBVIOUS

carmen
em musica por Cássio Poerschke em 15 de mai de 2013.

Portuguesa de nascimento, brasileira de estilo, fenômeno nos Estados Unidos. Maria do Carmo Miranda da Cunha saiu de uma família humilde e, com seu turbante na cabeça, tornou-se Carmen Miranda, a mulher mais bem paga de Hollywood à sua época. A primeira artista multimídia do Brasil morreu cedo, aos 46 anos, sucumbindo ao sistema hollywoodiano. Mas seu mito vive até hoje.

A carreira curta de Carmen Miranda não foi impedimento para que sua personagem exótica se tornasse um mito e fosse reinventada até hoje. A pequena notável – apelido que ganhou por ter apenas 1,53m – ganhou fama junto com o samba brasileiro e, do Brasil, despontou para o mundo. Seus gestos, sua voz, sua mistura de graça e talento a tornaram um símbolo no qual até Madonna já disse ter se inspirado.
Apesar de criar e personificar esse estilo brasileiro disseminado por ela no mundo – e de se considerar uma genuína carioca –, Carmen Miranda manteve sempre a sua nacionalidade portuguesa, nunca adquirindo a brasileira ou a americana, país onde viveu por anos. Nasceu no interior de Portugal, na pequena Marco de Canaveses, e veio ainda bebê para o Brasil, onde seu pai havia aberto uma barbearia. Seu nome, Maria do Carmo, já não era usado nem entre a família, onde já era conhecida como Carmen. Começou a trabalhar cedo, mas não se manteve nos empregos, dizem que por cantar demais.
Criada na efervescência cultural da Lapa carioca das décadas de 1910 e 1920, absorveu o que via nas ruas e criou sua personagem caricata e, ao mesmo tempo, forte símbolo do Brasil no mundo. Foi em 1929, conhecendo o compositor Josué de Barros, que iniciou a se apresentar cantando e a gravar discos. Foi com a música Pra você gostar de mim (que passou a ser conhecida como Taí) que Carmen bateu todos os recordes da época. A partir daí, começou a fazer um grande sucesso no Brasil, gravando para R.C.A. Victor e a poderosa gravadora Odeon.

Suas performances eram de uma imensa capacidade de expressão que era como se fosse possível sentir sua presença mesmo a ouvindo em discos ou na rádio. Isso lhe rendeu o primeiro contrato de uma cantora com uma rádio. Assinou com Mayrink Veiga em uma época onde todos recebiam cachê por participação. Tempos depois, trocou a rádio por outra, a Tupi.

Nessa época, começou a fazer filmes e esse multitalento a levou a fazer sucesso não só no Brasil, mas também no Uruguai e na Argentina, onde, em Buenos Aires, realizou sua primeira turnê internacional, em 1933. Anos depois, passou a integrar o elenco do Cassino da Urca. Foi lá que foi vista pelo empresário Lee Shubert que a levou para os Estados Unidos, onde encontrou sua grande fama internacional.

Seus espetáculos teatrais se tornaram cada vez mais famosos nos Estados Unidos a partir do grande sucesso de Streets of Paris, que estrelou em Boston. Cantou para o presidente Roosevelt na Casa Branca e retornou ao Brasil onde surgiu uma polêmica. Carmen Miranda estava americanizada, diziam os críticos. Sua resposta foi uma música, “Disseram que eu voltei americanizada”, uma sátira à crítica.

Carmen encerrou sua temporada no Brasil consagrada pelo público. Já nos Estados Unidos, transferiu-se para Hollywood onde estrelou, no total, 14 filmes e é, até hoje, a única brasileira a ter seus pés e mãos gravados na calçada da fama, em Los Angeles. A pequena notável, com seus tops, saias rodadas, turbantes e sua plataforma, já havia ganhado o mundo. O pagamento veio com muito dinheiro. Foi, em 1946, a mulher mais bem paga de Hollywood. Mas veio, também, de outras formas.

Todo esse sucesso trouxe suas consequências. Teve inúmeros casos amorosos, mas nenhum filho (chegou a sofrer um aborto), reforçando a ideia de estar à frente do seu tempo, mas também a ideia de uma mulher sem tempo para si. Cantou em português para os americanos que não entendiam nada e personificou a ideia da brasileira que a política da boa vizinhança deles queria. Ficou estigmatizada pelo seu sotaque exagerado, mesmo falando inglês muito bem. Fora isso, para dar conta de sua rotina de trabalho desde sua chegada nos Estados Unidos, Carmen fazia uso de medicamentos, tornando-se dependente, embora dissesse que não era.
Depois de 14 anos fora do Brasil, retornou e ficou cerca de quatro meses internada no Copacabana Palace para desintoxicação. Ligeiramente recuperada, voltou aos Estados Unidos e à sua rotina de apresentações. Quatro meses depois, morreu do coração sozinha em seu quarto, na sua mansão.

Seu enterro, no Rio de Janeiro, foi o maior da cidade até hoje, o que nos leva a pensar que talvez a nossa portuguesa tenha sido a maior artista brasileira, até nos Estados Unidos. Ela deu forma a música popular brasileira e deu visibilidade e profissionalismo aos artistas daqui. Antes dela, os cassinos