MISTURA

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Em mim, enraizada de vez,
é acesa a mistura de água e fogo,
sou um ténue fio de água
ou um rio desbragado,
chama delgada ou fértil labareda.

E a terra que me escorre dos dedos
nem sempre quebra os excessos
ou as carências,
porque a humidade aquecida no ar
nunca é imparcial.

Incapaz de evitar a paixão
à tua presença,
acendo os círios no sangue
e, de tão tangível, sou a saudade
que se vê na tua ausência.

Sei que me abraças e que, de mim,
fazes certezas nos enredos do tempo,
e é por isso que somos capazes
de soterrar o brilho quente e húmido
de todas as dúvidas.

Poema: Nilson Barcelli © Julho 2013

(retirado do seu blogue

http:/nimbypolis.blogspot.pt

com a devida autorização.