Quem me Procura Perdida – Rosa Maria

assaasapoemaa

Quem me procura perdida…quem me deixou espinhos no corpo
Quem me levou os luares de Agosto e me entregou à solidão
Quem cravou no meu peito este murmúrio…este grito rouco
Quem escureceu o azul dos sonhos…quem me levou a ilusão

Quem mora em mim…quem chora no meu peito este soluço vão
Quem anoiteceu a Primavera…quem me rasgou as fitas…os laços
Quem me deixou no lado errado da vida…o lado negro do tempo
Quem sepultou os meus anseios e me deixou inertes os braços

Quem vestiu de cinzas o meu rosto…levou as flores…a ternura
Quem me calou os gemidos de amor…quem me entregou ao vento
Quem tatuou na minha pele o cansaço…nas minhas mãos a lonjura
Quem me deixou nas vielas negras da vida…nas esquinas do tempo

Quem me deixou caída no chão…sem mim…sem vida…sem norte
Quem me vestiu de silêncio o corpo e me despiu da pele o amor
Quem me deixou no olhar a ausência…nas mãos prendeu a noite

Quem cinzelou no meu rosto esta sombra…este lamento de dor

Quem cavou muros no tempo…na minha boca sicuta derramou
Quem me vestiu o manto negro da noite…a madrugada de frio
Quem no meu coração plantou a giesta…quem me abandonou
Quem vestiu meu olhar de nostalgia…os meus braços de vazio

Quem são esses olhos que me olham…tão frios e distantes
Que me vêm sem me sentirem..que me olham sem me ver
Que deixam nos meus o anoitecer…que me olham errantes
Quem me sepultou na penumbra…quem me teve sem me ter.

Escrito por: Rosa Maria

(retirado,com autorização da
sua página de Facebook)

UM NOVO SÉCULO DE LUZ

!!!anigif31

Ah! Eu queria tanto, como eu queria
Que a natureza continuasse
Vertendo Amor por toda a Terra
Fazendo dos campos verdejantes um tapete de cores
Onde a criança caminhasse entre flores
Sem temores… Ah! Eu queria tanto, como eu queria
Que em cada favela, em cada vila
Todas as crianças tivessem guarida
No coração do homem…
Operário ou empresário
Para nele encontrar…
Nem que fosse um cantinho
Para falar de seus sonhos
Que eles não são quimera
Que alguém pode fazer dele
Eterna primavera…

Ah! Eu queria tanto, como eu queria
Que ninguém chorasse mais a partida
Do filho querido que a morte levou
Que descobrisse no Evangelho
Que um lugar existe
É um mundo tão belo!
Nos braços ternos de alguém
É recebido ele
Com anelo!

Ah! Eu queria tanto, como eu queria
Que o Século vinte e um
Fosse o século de luz
Que todos nele se iluminassem
Para que o Amor
Em todos despertasse…

Ah! Eu queria tanto, como eu queria
Que todos vivessem em paz
E na Terra toda
Esta paz reinaria…
Demonstrando a você, irmão
Que é também capaz
De construir o século de luz,
Vivendo realmente
O grande amor de Jesus
Ah! Como eu queria…

Autor: Meimei

(obrigada Malu)

O que é a arte?

rope dance - simon

“A arte não é, como os metafísicos dizem, a manifestação de alguma idéia misteriosa da beleza ou de Deus; ela não é, como os fisiologistas sem senso estético dizem, um jogo no qual o homem descarrega seu excesso de energia acumulada; ela não é a expressão das emoções humanas em símbolos exteriores; ela não é a produção de objetos prazerosos; e, sobretudo, ela não é prazer; ela é um meio de unir os homens através dos sentimentos em comum, indispensável para a vida e progresso através do bem-estar dos indivíduos e da humanidade. ”

(Tradução livre minha.)

fonte: fabio rocha
magia da poesia

o aleatório esculpindo maravilhas

m6m5mar2AqueousO aleatório esculpindo maravilhas

em artes e ideias por Priscila Wellausen em 26 de jun de 2013

Ao demorar nosso olhar no banal, surgem deslumbramentos: uma simples gota de tinta em movimento cria imagens espetaculares, numa festa de formas de cor esculpidas pelo acaso. Subitamente, o mundo ganha uma amplitude inconcebível, quase intolerável: que encantos há sob nossos olhos que passam despercebidos?
A tinta cria vida. Através de técnica e imaginação, pinturas são a vida manifestando-se na tela, florescendo do branco através de cores. A tinta sempre foi mero instrumento desta magia humana – até hoje. Dois projetos – Aqueous, de Mark Mawson, e Bring color to life da agência publicitária Dentsu – partem da premissa de que a tinta é a protagonista, com resultados surpreendentes e espetaculares. Agora, a tinta não apenas cria vida: ela está viva.
Fãs do abstracionismo (e mais particularmente do expressionismo abstrato) perderão o fôlego diante de imagens de um novo mundo (o nosso mundo!) que nem desconfiávamos existir. Para o projeto Bring color to life, uma boa descrição (poética!) o definiria como “criar formas de cor através de som”, e seria bem apropriada
A técnica resume-se em esticar um balão sobre um alto falante, criando uma membrana sobre a qual são colocadas gotas de tinta; as vibrações do som fazem as gotas de tinta “pularem”, criando bailados de pura cor e som – literalmente! Claro que não é assim tããooo simples… Infelizmente, eu e você não podemos capturar estas imagens em casa, uma vez que para isso são necessárias câmeras profissionais com lentes ultra macro que capturem imagens em altíssima velocidade com riqueza de detalhes. Num mundo de imagens cada vez mais dependente de edição digital, é ainda mais impressionante saber que não houve nenhuma alteração nestas fotos: this is the real thing.
Mark Mawson, por sua vez, também capta o comportamento da tinta: na sua série denominada Aqueous (há um portfolio de fotos e um vídeo no seu site, http://www.markmawson.com/#/), captura a reação da tinta ao cair na água.


(parte do artigo) fonte: OBVIOUS

Conversando…

EK23

Alguns visitantes dos meus blogues têm-me sugerido que
colocasse menos posts para obter maior número de comentários,sugestões que agradeço.

Sucede, que a finalidade dos meus blogues não é alcançar
um x número de comentários,embora fique feliz com as
visitas e os comentários que colocam.

É para que eu coloque tudo aquilo que gosto, tudo o que
me enviam (e tenho tantos amigos/as que o fazem, a quem
estou imensamente grata) portanto “os meus blogues são
o que eu gosto e quis guardar”, apenas isso.

Partilho com todo o gosto com quem os visita, e se não
forem imensos, os que vêm são mesmo amigos e isso é o
melhor de tudo.E estou-lhes muito grata.72D7CBE4DC51DD717F30BC7EF0AC3741

Poema de Nietzsche no Zaratrusta

jardim

Com o ar privado de luz,
Quando já do rócio o consolo
Escorre para a terra,
Invisível, inaudível também –
Pois leve calçado traz,
Como toda a suavidade que alivia, o rócio consolador –
Lembras-te, então, lembras-te, coração ardente,
Como, outrora, estavas sequioso
De lágrimas celestes e gotas de orvalho?
Crestado e cansado, andavas sedento,
Enquanto, por amarelos carreiros na erva,
Maldosamente, os olhares do sol vesperal,
Passando entre árvores negras, à tua volta corriam,
Embraseados olhares do Sol, ofuscantes malignos.

Pretendente à verdade? Tu? – escarneciam –
Não! Apenas um poeta!
Um animal, e astuto, rapinante, furtivo,
Que tem de mentir,
Que tem, ciente e voluntariamente, de mentir:
Cobiçando a presa,
Mascarado de várias coresMácara para si próprio,
Para si próprio presa…
Isto, o pretendente à verdade?
Não! Apenas louco! Apenas poeta!
Proferindo só discursos confusos,
Gritando desordenadamente por detrás de máscaras de bobo,
Andando por cima de mentirosas pontes de palavras,
Por cima de arco-íris multicolores,
Entre falsos céus e falsas terras,
Vagueando, pairando por aí…
Apenas louco! Apenas poeta!

Isto, o pretendente à verdade?
Nem imóvel, rígido, liso, frio,
Feito estátua,
Tornado num pilar de Deus,
Nem erguido diante de templos,
Qual guarda-portão de um deus…
Não! Hostil a essas estátuas da verdade,
Mais à vontade em qualquer deserto que diante de templos,
Com a travessura dos gatos,
Saltando por qualquer janela –
Depressa! – para qualquer casualidade,
Farejando toda a floresta virgem,
Farejando obssessiva e ansiosamente,
Para que nas selvas,
Entre feras sarapintadas,
Corresses pecaminosamente sadio, variegado e belo,
Com beiços ávidos,
Venturosamente escarninho, infernal e sanguinário,
Andasses rapinando, insidioso, falso…

Ou, tal como a águia, que longa,
Longamente, crava os olhos nos abismos,
Nos seus abismos…
Oh! como elas descem,
Lá para baixo, lá para dentro,
Enroscando-se em profundezas cada vez mais fundas!
Depois,
Subitamente, sempre a direito,
Num vôo tenso,
Atiram-se aos cordeiros,
Caindo bruscamente, famintas,
Ávidas de cordeiros,
Hostis a todas as almas de anho,
Envaidecidas contra tudo o que pareça
Ovino, com olhos de cordeiro, com lã encaracolada,
Pardo, com a benevolênca do borrego e da ovelha!

Assim,
Próprios de águia, próprios de pantera,
Sã os anelos do poeta,
São os teus anelos sob mil máscaras,
Ó louco! Ó poeta!

Tu, que viste o homem,
Tanto deus como carneiro,
Despedaçar o deus no homem
Tal como o carneiro no homem
E rir, despedaçando-os…

Essa, essa é que é a tua felicidade!
A felicidade duma pantera e duma águia!
A felicidade dum poeta e dum louco!

Com o ar privado de luz,
Quando já da Lua o crescente,
Verde entre vermelhos pupúreos
E invejosos, entra furtivamente,
Adverso ao dia,
A cada passo, secretamente
As cortinas de roseira ceifando
Até que caiam,
E sumam, pálidas, pela noite abaixo.

Assim eu proprio caí, outrora,
Do meu delírio de verdade,
Dos meus anelos diurnos,
Cansado do dia, doente da luz,
Caí para o fundo, para a noite, para a sombra,
Por uma só verdade queimando
E só dela sequioso:
Ainda te lembras, coração ardente, lembras-te
Como, então, tinhas sede?
Que eu seja desterrado
De toda a verdade,
Apenas louco!
Apenas poeta!

NIETZCHE, F. W. “Canto da melancolia, quarta parte, item 3″ In: Assim falou Zaratustra. Tradução Paulo Osório de Castro. Lisboa: Relógo D’água, 1998, p. 349-352.