Tudo se altera…

(obrigada Joaquín)

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O grande legado de Madame Curie (gabriel farias 08/07/2013

Ainda que seja lugar comum ressaltar a importância de Marie Curie para a história da ciência – quiçá da humanidade – as palavras que abrem este artigo, confesso, não são minhas. Todas elas foram publicadas no obituário do New York Times, no dia 4 de julho de 1934. Muito além de protagonista da efeméride mais importante da última semana, contudo, Curie constitui-se como um dos personagens mais importantes da ciência moderna, cuja vida (e até mesmo a própria morte, em decorrência de uma leucemia devido à manipulação e constante exposição a substâncias radioativas durante seus trabalhos) foi inteiramente devotada ao saber.

Nascida num 7 de novembro de 1867, Marie Curie fora batizada Maria Sklodowska, filha de Bronislawa e Vladislav Sklodowski. Manya, como era carinhosamente chamada, apresentava uma precoce aptidão para as ciências – fato que muito orgulhava seu pai, professor de física e matemática em escolas de Varsóvia. Impulsionada pelo desejo de dar continuidade aos seus estudos e diante da resistência à presença feminina nos círculos científicos em meados do século XIX, Manya iniciou sua vida acadêmica de maneira informal, filiando-se à Floating University (Universidade Itinerante, em tradução livre).

Tal informalidade era não somente justificável, mas também a única escolha para que Manya desse continuidade aos seus estudos: visto que mulheres não eram bem recebidas na Universidade de Varsóvia àquela altura, Marie não viu outra opção senão apelar à Floating University, que funcionava ilegalmente, para exercitar sua vocação. O caráter itinerante da instituição, que ministrava aulas durante a noite em diferentes localidades, dificultava o monitoramento das autoridades de Varsóvia e lhes garantia alguma sobrevida perante a autoridade do Czar Alexander II. Ainda que os estudos na universidade itinerante não garantissem equivalência acadêmica em qualquer universidade europeia que admitisse o ingresso de mulheres, Manya sabia que seria um ótimo caminho caso quisesse se introduzir ao mundo das ciências.

A resistência à presença feminina na academia não foi a única dificuldade encontrada por Marie ao longo de sua empreitada rumo à uma posição de destaque na ciência. Seus primeiros passos em Paris, cidade-referência cultural e científica de seu tempo, foram marcados por uma profunda escassez de recursos. Enquanto jovem estudante na cidade-luz, chegava a vestir todas as roupas das quais dispunha para se abrigar do frio nas semanas do rigoroso inverno parisiense. Apesar das difíceis condições nas quais se encontrava, Marie apontava para o fato de que “sua experiência não era excepcional, mas um quadro familiar vivido por outros tantos estudantes poloneses que conhecera”.Outra grande dificuldade que encontrara foi a ausência de um local adequado para que pudesse trabalhar. Este, inclusive, foi o motivo pelo qual um físico polonês de sua confiança resolveu apresentar-lhe um certo Pierre Curie, que dispunha de um laboratório que poderia ser de serventia, ainda que não estivesse lá em grandes condições. O encontro entre Marie e Pierre viria a ser um grande turning-point – não mudou somente as vidas de ambos, mas também a história da ciência moderna.

A relação de profunda admiração e respeito mútuo evoluiu de forma rápida e intensa. Em julho de 1895 Pierre Curie e Marie Curie formalizavam sua união civil em uma simples cerimônia sem qualquer pompa ou conotação religiosa – ele era filho de protestantes não-praticantes e ela, oriunda de família católica, perdera a fé ao ver a mãe definhar aos 42 anos em decorrência da tuberculose. Tampouco trocaram alianças na ocasião.

Pierre Curie se tornou um grande apoiador de Marie ao longo de sua vida acadêmica. Encorajou-a a seguir seus estudos com um doutoramento na Sorbonne e uniu forças com ela ao perceber o quão promissores seriam os estudos no campo da radioatividade. A união, extremamente produtiva, rendeu a descoberta de dois novos elementos da tabela periódica (um deles batizado de “Polônio”, em homenagem à terra natal de Marie) e um prêmio Nobel da Física em 1903, creditado ao casal Curie e também a Henri Becquerel, pelas pesquisas realizadas acerca da radioatividade. Posteriormente seria concedido a Marie também o Nobel em Química, pela descoberta dos elementos Rádio e Polônio.

Marie Curie acompanhou de perto o calvário de Pierre, que já não gozava de boa saúde quando morreu, em abril de 1906, vítima de um atropelamento. Também dividiu com ele o assédio da imprensa após a condecoração máxima da ciência recebida pelo casal e o sucedeu na cadeira de professora de Física Geral na Faculdade de Ciências. Ao longo do século XX, a produção de Marie jamais alcançou o mesmo vigor que obtivera antes da premiação do Nobel. O corpo também não ajudava: padeceu de problemas renais e visuais no fim da vida. Sua existência notadamente fora abreviada pela manipulação de substâncias radioativas sem os devidos cuidados – a medicina sequer conhecia todos os perigos da radioatividade àquela altura. Prudentemente, contudo, Marie alertava seus pares para possíveis riscos que a radiação poderia causar ao ser humano.

Seu último suspiro ocorreu num 4 de julho de 1934, para profunda tristeza da comunidade científica. Longos obituários foram publicados – como o do New York Times que dá início a este artigo. “Martyr to Science” ressaltava as qualidades de Marie, em um compêndio jornalístico que se iniciava na capa e seguia páginas adentro a descrever a cientista. “Seu fértil período de descobertas do polônio e do rádio, as honras subsequentes que lhe foram concedidas – ela foi a única pessoa a receber dois prêmios Nobel – e as fortunas que poderia ter ganho, caso fosse de seu desejo, jamais modificaram o seu estilo de vida. Ela parecia ser uma trabalhadora pela causa da ciência, preferindo seu laboratório a figurar nas colunas sociais”, atestava a publicação, em referência à opção de Marie junto a Pierre e Becquerel por não patentear quaisquer dos processos de isolamento do rádio. Para muito além de uma efeméride ou das páginas de um obituário, contudo, o legado de Marie a torna uma das figuras mais importantes da história da ciência.

Fonte: OBVIOUS

SER CRIANÇA

gato

Ser adulto…feito criança!…
É como viver lado a lado com a esperança….
Ter a ingenuidade
De acreditar que a Vida à nossa volta
Pode girar
Sempre…e só…
Em torno da verdade…

É aceitar os enganos …
Sem qualquer revolta.

É perdoar muitos danos…
E com ou sem razão
Numa mistura de compaixão
Nunca querer magoar
De uma forma intencional…

É ser generoso!…

E saudoso
De tudo que é passado…
Mas aceitar conviver com o presente
Sem olhar ao bem… ou ao mal…
Nem a ele se sentir obrigado…

E até na guerra do Amor
Entre o Homem e a Mulher
É lutar…sem uma qualquer condição …
Uma sequer!

E no entanto…ainda que verdade
A observação dá-nos a certeza
De que nunca é igual …
A ser criança na idade!…

Pois quando um adulto pensa…
Falta-lhe a pureza
E a imensa ingenuidade
De quando era criança
E até acreditava…
Que todos os “meninos”… vinham de França…

E assim… aconteceu com o pecado original ! …
( ah… como eu queria voltar a ser criança!…)

Manuel Sepúlveda*

(retirado,com autorização,
da página do Facebook de
Anabela de Araújo)