Há tempos conturbados no caminho…

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Prepare-se, vem aí um terramoto da Europa

DiARIO ECONOMICO 1/8/2013 | Bruno Proença

Depois de aprovada a moção de confiança, o Parlamento prepara-se para fechar para as férias grandes.

Depois de aprovada a moção de confiança, o Parlamento prepara-se para fechar para as férias grandes. As notícias já falam de reforço policial no Algarve para garantir que ninguém incomoda o Presidente da República, o primeiro-ministro e os outros políticos nos seus banhos retemperadores. Depois de dois anos de ‘troika’, com muita austeridade e dificuldades para os portugueses, os políticos preparam-se para uma ‘silly season’ à antiga. Não quero ser desmancha-prazeres, mas o período de tranquilidade poderá ser curto. Em Setembro chega a ‘troika’ e há um Orçamento do Estado para 2014 para fazer, além disto, o mundo não pára.

Um artigo do Financial Times citava ontem um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a Grécia e as notícias são más. O Fundo confirma as piores análises: o dinheiro do segundo resgate para a Grécia não chega. Os gregos beneficiam actualmente de um envelope financeiro de 172 mil milhões de euros. No entanto, para o FMI é claro que os países da zona euro vão ter de transferir mais 11 mil milhões para Atenas e, adicionalmente, assumir um novo perdão de dívida de 7,4 mil milhões (4% do PIB) para que o governo grego consiga gerir minimamente um endividamento público que passa os 176% do produto. O relatório do FMI é de tal forma negro que admite que a Grécia não consiga pagar as próximas prestações aos credores institucionais, o que significaria a falência real do país. Perante isto, os países da América Latina não aprovaram que o FMI transferisse a próxima tranche de fundos para Atenas.É claro que a Grécia está por um fio. Os alemães vão enterrar a cabeça na areia como a avestruz até às eleições a 22 de Setembro. Porém, os problemas não desaparecem porque os negamos. Adivinha-se um novo terramoto com epicentro em Atenas e ondas de choque que atingirão Lisboa depois de arrasarem Roma e Madrid. Com um ‘default’ na Grécia ou uma nova reestruturação de dívida, os mercados vão ficar com os nervos à flor da pele. Muitos bancos europeus podem ficar à beira da falência, reclamando mais ajuda. Os investidores vão fugir da dívida pública europeia, nomeadamente de países como Espanha, Portugal e mesmo Irlanda.

Neste cenário, a economia nacional não regressará aos mercados no Verão do próximo ano e também necessitará de mais ajuda internacional – um segundo resgate -, numa altura em que o FMI já saltou do barco, recusando novas ajudas aos Estados europeus. Assim, os portugueses vão sofrer com mais austeridade. Qual será a reacção do novo Governo de Merkel perante uma Europa novamente em crise aguda? Finalmente avançará para a reforma do modelo europeu? Estará disposto a novos resgates para os países periféricos? Na verdade, ninguém tem resposta para estas questões. Vá gozando o Sol e a praia, mas prepare-se: há tempos conturbados no caminho.