António Capucho

O ex-secretário-geral atribui falta de debate interno “à influência excessiva de certas sociedades secretas” e às “oligarquias”

António Capucho defende que o PSD está dominado “no governo pelo CDS e no partido por organizações secretas”. Numa resposta no Facebook, em reacção a uma crítica por atacar a direcção do PSD, o ex-secretário-geral do partido escreve que o PSD “está a apunhalar a social–democracia” e a “transformar–se num bando de oligarquias que se encerraram em si próprias e não permitem a democracia interna”. A culpa é, acrescenta Capucho nas redes sociais, da influência de “organizações secretas”.

“Não tenho dúvidas pelo que vejo publicado em livros e artigos jornalísticos que há influência excessiva de certas sociedades secretas dentro do PSD, mas considero ainda pior a influência das oligarquias que vieram acabar com o debate interno a nível distrital dentro do partido”, disse ao i o antigo presidente da Câmara de Cascais quando confrontado com as afirmações feitas nas redes sociais.

A resposta de António Capucho, no Facebook, surge na sequência de uma declaração em defesa da candidatura de Marco Almeida – vereador eleito pelo PSD e que após a saída de Seara assumiu a presidência da Câmara de Sintra -, apontando o “desespero do PSD e do CDS em Sintra”, após ter sido conhecida a decisão do tribunal que rejeitou a impugnação daquela coligação à candidatura de Marco Almeida por o nome do movimento incorporar o nome do candidato. “Confrontados com sondagens que apontam para uma intenção de voto irrelevante (como seria de esperar face aos antecedentes e à candidatura que apresentam), aquela coligação tentou impedir a candidatura de Marco Almeida com um argumento no mínimo ridículo”, escreveu Capucho.

Foi a influência externa de outras entidades no PSD, segundo o ex-autarca, que levou ao afastamento e à desconsideração de alguns candidatos escolhidos a nível das concelhias do partido. “Não há nenhuma explicação para a candidatura de Marco Almeida apoiada pela concelhia ter sido rejeitada”, diz o social-democrata.

Marco Almeida era apontado como sucessor de Fernando Seara na Câmara de Sintra, mas, após ter sido aprovado pela concelhia como candidato do partido, viu a sua pretensão ser rejeitada pela distrital. O PSD acabou por escolher Pedro Pinto, deputado e vice-presidente do partido, para liderar a candidatura à autarquia.

O candidato preterido constituiu então o Movimento Sintrenses com Marco Almeida, convidando António Capucho para se candidatar à presidência da assembleia municipal. Este apoio pode, no entanto, valer a Capucho a expulsão do PSD. Pedro Pinto garantiu ao “Público”, em Junho, que Capucho “sabe o que lhe vai acontecer” devido às regras estatutárias do PSD que determinam que o apoio a uma candidatura contrária à do partido faz cessar a inscrição do militante.

(Fonte: Catarina Falcan e Luís Claro
http://www.inoline.pt)

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