VENDAVAL – ROSA MARIA

VendavalE este vendaval bramindo no meu corpo…esta noite despida
E este fogo lento que me envolve…e esta cama de espinhos
E estes lençóis tecidos de amargura…e esta morte em vida
E este abismo sem luz por onde vagueio…e estes caminhos

E este silêncio que se fez mágoa…e as palavras rasgadas
E esta sombra que me anoitece o olhar…e o peso do vazio
E este sal que me corre nas veias…as lágrimas sufocadas
E estes braços sem mim…estas mãos sem nada…este frio

E este céu negro que me envolve…este corpo amordaçado
E esta madrugada que me doi…que me queima e entristece
E esta ansia de ser…este desejo de querer…este triste fado
E esta vida que não passa…e esta noite que não amanhece

E este desejo que me encendeia o corpo…que me fere a alma
E este amor de carne…este vestido de vento…este mar bravio
E esta mulher voando nas asas de um condor na noite calma
E esta cama feita de restos…estas rosas secas…este corpo frio

E a negrura da noite…as dores…as flores…este meu cansaço
E esta dança fúnebre…dolente…por onde vagueio sem chegar
E estas sombras na noite…que são o abraço onde me enlaço
E esta lágrima que escorre por dentro de mim…e este mar

E este vento que me arrasta…anunciando a tempestade
E esta vida que gastei…e esta agonia que me queima
E este rosto que murmura…as cinzas de uma saudade
E este sorriso inventado…esta dor que em mim teima

ESCRITO POR : ROSA MARIA

(retirado da sua página de Facebook
com a devida autorização)

DEIXEI DE TE VER

nilson

Deixei de te ver
e, se me esperas,
há tanto nevoeiro
que as minhas palavras são esgares
de língua cosida
num espaço sem fogo.

Enquanto eu medito na praia,
não me chames,
estou encoberto pelo sal
e estendido no retiro
[no limiar]
das marés que te dão corpo.

Na primavera,
vou descobrir a origem
dos dias que se cortam sem vida
como trigo maduro.

E, então,
saberemos reaver
a ternura sedutora do princípio.

Poema: Nilson Barcelli © Setembro 2013

(retirado do sue blogue
http://nimbypolis.blogspot.com

com a devida autorização)