DEIXEI DE TE VER

nilson

Deixei de te ver
e, se me esperas,
há tanto nevoeiro
que as minhas palavras são esgares
de língua cosida
num espaço sem fogo.

Enquanto eu medito na praia,
não me chames,
estou encoberto pelo sal
e estendido no retiro
[no limiar]
das marés que te dão corpo.

Na primavera,
vou descobrir a origem
dos dias que se cortam sem vida
como trigo maduro.

E, então,
saberemos reaver
a ternura sedutora do princípio.

Poema: Nilson Barcelli © Setembro 2013

(retirado do sue blogue
http://nimbypolis.blogspot.com

com a devida autorização)