A minha escola pública por Baptista Bastos

abatistaDN, 2013-11-13

Tudo o que sou e sei devo-o à escola pública, à abnegada dedicação de professores, cujas memórias retenho com emoção e saudade. Não é mau ter saudade: é manter o lastro de uma história que se entrecruza com a dos outros, de muitos outros. É sinal de uma pertença que transforma as relações em laços sociais, frequentemente para toda a vida. Da primária ao secundário, e por aí fora, a presença desses homens e dessas mulheres foi, tem sido, a ética e a estética de uma procura do próprio sentido da vida. O débito que tenho para com eles é insaldável. A paciência solícita, o cuidado e a atenção benevolente do tratamento dispensado aos miúdos desbordavam de si mesmos para ser algo de grandioso. Ah! Dona Odete, como me lembro de si, da sua beleza mítica, da suavidade da sua voz, a ensinar-nos que o verbo amar é transitivo. Também lhe pertenço, e àqueles que falavam das coisas vulgares das ruas e dos bairros, da cadência melancólica das horas e dos dias, com a exaltação de quem suspira uma reza ou compõe uma épica.

Depois, foram os meus três filhos, instruídos em cantinas escolares republicanas, e aí estão eles, no lado justo das coisas, nesse regozijo dos sentidos que obriga ao grito e à cólera quando a repressão se manifesta. Escrevo destas coisas banais para designar o verdete e o vómito que me provocam o ministro Crato e o seu sorriso de gioconda de trazer por casa, quando, por sistema e convicção, destrói a escola republicana, aduzindo-lhe, com rankings e estatísticas coxas, a falsa menoridade da sua acção. Este ministro é um mentiroso, por omissão deliberada e injunção de uma ideologia de que é paladino. Não me interessa se abjurou dos ideais de juventude; se tripudiou sobre “O Eduquês”, um ensaio dignificante; ou se mandou às malvas o debate que manteve com o professor Medina Carreira, num programa da SIC Notícias. Sei, isso sim, que os homens de bem devem recusar apertar-lhe a mão. Ele não diz que a escola pública está aberta a toda a gente, e que a escola privada (com dinheiro nosso, dos contribuintes) é extremamente selectiva. Oculta que a escola pública acolhe os miúdos com fome, de pais desempregados, de famílias disfuncionais e desestruturadas, que vivem em bairros miseráveis e em casas degradadas, entregues a si mesmos e à raiva que os alimenta. Não diz que a escola pública é a imagem devolvida da sociedade que ele próprio prognostica e defende. Uma sociedade onde uma falsificada elite, criada nos colégios, tende a manter-se e a exercer o domínio sobre os outros. Oculta, o Crato, que, apesar desse inferno sem salvação, fixado nos rankings numa humilhação atroz, ainda surgem alunos admiráveis, com a tenacidade e a dimensão majestosa de quem afronta a injúria e a desgraça. E esta imprensa, muito solícita em noticiar trivialidades, também encobre a natureza real do grande problema. Tapa os ouvidos, os olhos e a boca como o macaco da fábula. Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo

acordo ortográfico

Morreu o actor Sérgio Grilo

Sérgio Grilo

O actor Sérgio Grilo morreu hoje, terça-feira, aos 40 anos, vítima de cancro. O actor começou a fazer teatro na Casa Velha, no Maputo, e a partir de 1994 integrou o elenco de inúmeras peças de teatro. Os Lisbon Players ou os Artistas Unidos de Jorge Silva Melo foram alguns dos grupos por onde passou.

Depois do teatro e da televisão – entrou em telenovelas como Morangos com Açúcar, Floribella, Doida por Ti e mais recentemente em Mundo ao Contrário – transitou também pelo cinema, tendo participado em filmes como Os Imortais (2003), Filme do Desassossego (2010), A Morte de Carlos Gardel (2011) ou Quarta Divisão (2012) e trabalhado ao lado de realizadores como Serge Moati, Eric Barbier, Joaquim Leitão, João Botelho, Teresa Villaverde, Maria de Medeiros ou António Pedro de Vasconcelos.

Para a televisão participou em séries de telefilmes realizados por Leonel Vieira ou Tiago Guedes de Carvalho e ao longo dos anos viria também a encenar textos de autores como Daniel Filipe, Léon Chancerel e John Steinbeck.

O velório do actor é quarta-feira, em Arruda dos Vinhos, onde residia, a partir das 11h da manhã.

Centenário do nascimento de Álvaro Cunhal

alvaro cunhal

(desenho de Álvaro Cunhal, extraído do blogue:
http://pcplordelo.blog.pt)

Para quem gostou dele ou o odiou, Álvaro Cunhal é uma figura marcante da Sociedade

Portuguesa, e ainda hoje influencia a força do Partido Comunista Português, que

consegue ser o Partido Comunista mais forte da Europa.

Álvaro Cunhal lutou pelos seus ideais, (que se pode ter estado ou não de acordo),

mas lutou porque acreditava. Como hoje faz falta!!! Nada seria igual se ele

estivesse vivo.

Além do político foi o homem que amou…que pintou…que escreveu…

Um homem inteligente, brilhante mesmo!!!

Eu, que nunca fui comunista, presto aqui a minha homenagem e faço-o

com toda a sinceridade.

Irene Alves