Como dizia NELSON CAVAQUINHO

rosas

Sei que amanhã
Quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer

 

 
Que eu tinha um bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.
Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.

Depois que eu me chamar saudade

Não preciso de vaidade

Quero preces e nada mais.

Um Presidente celibatário no Eliseu?

hollandeOs franceses são grandes rezingões, protestam por um nada, mas  nas questões de sexo e poder aceitam tudo ou quase. Segundo uma sondagem deste  domingo, não atribuem grande importância ao facto de François Hollande ter  traído a ainda primeira-dama, Valérie Trierweiler, com Julie Gayet, uma atriz 18  anos mais jovem que ele.

Neste aspeto, os franceses são liberais e gostam de dizer que  até acham alguma piada a estes episódios, com aspetos dignos de figurarem no  enredo de uma peça de teatro cómica, tipo vaudeville.

Os gauleses, sobretudo os parisienses, separam os assuntos da  vida privada e da vida pública, acham que ter uma amante faz parte das  liberdades individuais e até consideram este género de casos um símbolo da  modernidade que não têm os que eles chamam “os hipócritas puritanistas  anglo-saxões”.

No passado, os franceses também perdoaram todas as muitas  facadas no matrimónio dos Presidentes Giscard d’Estaing, Jacques Chirac ou  François Mitterrand. A este último, até desculparam que ele tenha protegido a  sua segunda família e a sua filha secreta recorrendo a métodos ilegais, como  escutas telefónicas de dezenas de personalidades e pressões fiscais contra  jornalistas que pretendiam revelar o caso.

Contudo, apesar desta benevolência dos gauleses, no Eliseu  considera-se que a separação, ou não, do casal presidencial tem de ser bem  esclarecida e resolvida de forma digna tanto para Hollande como para Valérie – e  sobretudo assumida de forma exemplar e sem ambiguidades.

Em Paris, diz-se que assessores do Eliseu aconselham o chefe de  Estado – que prometeu esclarecer o assunto até 11 de fevereiro, data de uma  visita de Estado aos Estados Unidos da América – a, se optar por Julie, não  instalá-la imediatamente no Eliseu. Defendem um Presidente celibatário, sem  primeira-dama, informa o matutino “Le Fígaro”. A acontecer seria a primeira vez  na história da quinta República.

Valérie, que não é casada com François Hollande, saiu do  hospital este fim de semana para passar uns dias de repouso em La Lanterne, um  palacete que é uma residência secundária do Presidente, na região de Paris. O  seu tratamento, à base de calmantes, passa também por convencê-la a encarar com  serenidade e sem precipitações esta séria crise conjugal.

No fundo, mediadores tentam negociar com Valérie uma saída  airosa para ela e o Presidente. Porque, apesar dos franceses se terem revelado,  até agora, muito indulgentes sobre este caso, deixarão de o ser se virem o  inquilino Eliseu embrenhar-se demasiado longamente numa caricata novela cor de  rosa pouco digna da função presidencial.

fonte: Expresso online

222“Não digas que eu vou partir amanhã
porque hoje, eu ainda estou a chegar.Olha profundamente: chego a cada segundo
para ser um rebento num galho de primavera,
ser um pequeno pássaro de asas ainda frágeis,
aprendendo a cantar no meu novo ninho,
ser uma lagarta no coração de uma flor,
ser uma jóia que se oculta na pedra.Eu ainda chego, a fim de rir e chorar,
para recear e ter esperança.
O ritmo do meu coração é o nascimento e
a morte de todos os que estão vivos.Eu sou a flor que se metamorfoseia na superfície do rio,
e eu sou o pássaro que quando chega a primavera chega a tempo
de comer a flor.

Eu sou o sapo nadando feliz na clara lagoa,
e eu também sou a cobra rasteira que, aproximando-se em silêncio,
dele se alimenta.

Eu sou o filho no Uganda, só pele e osso,
as minhas pernas são finas como canas de bambu,
e eu sou o negociante de armamento, que vende armas mortais no Uganda.

Eu sou uma menina de doze anos de idade, refugiada num pequeno barco,
que se atira ao oceano depois de ser violada por um pirata do mar,
e eu sou o pirata, o meu coração ainda não é capaz de ver e amar.

Eu sou um membro do Politburo, com tanto poder nas mãos,
e sou também o homem que paga a sua ” dívida de sangue”,
o meu povo, morre lentamente num campo de trabalhos forçados.

A minha alegria é como a primavera, tão calorosa que faz as flores florescerem em todos os caminhos da vida.
A minha dor é como um rio de lágrimas, tão cheio que enche os quatro oceanos.

Por favor, chama-me pelos meus verdadeiros nomes,
para que eu possa ouvir todos os meus gritos e risos ao mesmo tempo,
para que eu possa ver que a minha alegria e dor são um só.

Por favor, chama-me pelos meus verdadeiros nomes,
para que eu possa despertar,
e assim a porta do meu coração possa ser deixada em aberto,
a porta da compaixão”.

Thich Nhat Hanh, Call Me by My True Names

Fonte: página do Facebook
Paulo Borges
seu blogue:
 

CONVITE – Célia Laborne Tavares

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Acordei.

Os olhos semi-pesados de sono encontraram a manhã muito nova, como se fosse convite. O avião passou voando tão baixo que assustou todos os pássaros e quase roçou minha janela.

Não havia dúvida, era o convite renovado. Parti com ele.

No primeiro instante, fiquei um pouco constrangida. Entrar assim, de pijama, rosto sonolento, cabelo despenteado no avião elegante, era experiência imprevista, para mim e para os passageiros sempre medrosos de surpresas. Alguns olharam-me espantados. Uma senhora de chapéu moderníssimo e luvas extravagantes chegou a arranjar uma expressão escandalizada! Fez-me pequena com seu pensamento claro de que eu era intrusa. Pensei até que iria chamar a aeromoça para atirar-me fora do avião.

E talvez não me importasse! Aquela manhã não deixava zangar-me com ninguém. Não sei se ela o percebeu, mas permitiu-me ficar.

Sentei-me no último banco. Minha intenção era seguir e não assustar os passageiros. Seguir assim, desligada das coisas. Sem malas ou reservas de passagens. Sem ir correndo para o aeroporto, vencer a angústia da espera e os momentos de despedida. Ir embora sem destino para me fazer liberta do bojo do avião.

Depois, encontrar lá em cima, uma paz extensíssima. A paz há muito procurada e que agora vinha de presente.

As nuvens, muito à vontade, faziam castelos esquisitos para uma legião de ventos inquietos. O céu chegava tão puro, tão alto, que não era atingido nem pelos pássaros deslumbrados.

E o avião tocava-o como coisa sua! Traçava uma linha de fuga para um pouso desconhecido. De repente, a aeromoça chegou real, trazendo laranjada e o sorriso bonito que ela põe nos lábios em todas as viagens. Achou graça porque eu não sabia para onde íamos. Ofereceu-me revistas e mostrou-me uma praia como possível meta.

Pouco depois, já se podia ver a brancura paciente da areia aguardando as águas indecisas.

O mar, que o avião fizera mudo e quase imóvel, vingava-se em brilho e atração imensa. A terra abraçava-o carinhosamente, defendendo-o do abismo do céu. Era a competição espontânea entre céu e mar… A curiosidade insistiu comigo para saber do piloto qual a sua escolha.

O avião fez-se criança para a grande hora. A porta da cabine ficou branca para não contar nada a ninguém. Resolvi transpô-la. Mas, a senhora elegantíssima, de luvas extravagantes, não suportou mais a minha presença. Atirou-me fora. Sem mar, sem céu, numa queda de regresso para um quarto escuro de janelas pequenas.

Mas, seguirei de novo, um dia qualquer de céu de convite, estou certíssima.

POSSO ESCREVER OS VERSOS…

Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Escrever, por exemplo: «A noite está estrelada, e tiritam, azuis, os ast…ros lá ao longe.»O vento da noite gira no céu e canta. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Eu amei-a, e por vezes ela também me amou. Em noites como esta tive-a eu nos meus braços. Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito. Ela amou-me, por vezes eu também a amava. Como não ter amado os seus grandes olhos fixos. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi já. Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. E o verso cai na alma como no pasto o orvalho. Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la. A noite está estrelada e ela não está comigo. Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, e ela não está comigo. A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que eu a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta a tive nos meus braços, a minha alma não se contenta com havê-la perdido. Embora esta seja a última dor que ela me causa, e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo. Tradução de: Fernando Assis Pachecoanabela(Extraído, com a devida autorização

da página do Facebook de

Anabela de Araujo)

Era muito jovem quando comecei a gostar de Simone de Oliveira

simone

Eu e mais algumas amigas, então no tempo do Fascismo,

criámos o seu Clube de Fãs. Depois para o legalizar tivemos

que lhe dar outro nome(que o Fascismo aceitasse), que foi:

Grupo de Beneficiência de Simone de Oliveira. Todavia outros

clubes de fãs proliferaram, obviamente sem estarem legalizados.

Passado algum tempo, como tudo na vida, teve um princípio e um

fim, e acabou. Mas não a minha admiração pela cantora e pela

mulher de nome: Simone de Oliveira.

Mas isto tudo para vos falar de um livro de 2013: SIMONE Força de Viver, da

materia-prima edições, que foi escrito por Simone e a jornalista Patrícia Reis.

É um livro de 181 páginas, com um preço acessível e penso que quem gosta de

Simone ou tiver curiosidade de saber um pouco mais sobre a mesma, pode comprar.

barra-azulE transcrevo uma poesia que vem logo no início do livro:

Quase que não me importa

que digam: não és capaz!

Eu vou sempre, vou em frente.

Leva-me um vento qualquer

Que nunca sei de onde vem

Se é um vento que vem para ficar

Ou se é um meio de viagem

Terei ou não de parar.

Quase que já não me importa

Os sorrisos encobertos

As pedras no meu caminho

Os conselhos dos espertos

Que pensam só, por vaidade,

Que só têm importância

Palavras de circunstância

Com cheiros de caridade.

Quase que já não me importa

Aqueles que dizem ser

Capazes, de não correr

Atrás de uma luz qualquer

Porque apesar de insegura

Vivendo vidas à toa

Tenho alma de pessoa

E o meu nome: Mulher.

Simone 1987

 

 

 

Irene Alves