Gentilmente cedido pela poetisa ROSA MARIA(madrinha deste blogue)

rosaDespe dos meus olhos o manto salgado das minhas lágrimas…veste-me um sorriso de algas e quando o silêncio anoitecer adormece a mágoa do meu corpo…prende o tempo numa carícia…solta os nós que me prendem…inventa um poente na noite e não me deixes morrer nos teus olhos…leva-me as ausências…as recordações feitas de nada…sepulta-as com o meu lamento.
Colhe as rosas brancas que secaram no meu peito…desfolha-as e espalha-as ao Vento…são raizes magoadas…despojos de amor…pedaços de mim desfeitos numa nuvem de silêncio.
Amanhece-me o corpo vazio e envolve-me nos teus braços errantes…prende nas tuas mãos a ausência que me escorre do corpo e quando a noite vier rasga os meus sonhos magoados e deixa-os adormecer com a minha solidão.
São restos de ternura de um tempo que não existe…fragmentos apenas…gotas de nada…pétalas negras vagando por dentro do silêncio do tempo…na distância onde ficaram suspensos todos os sonhos de amor.
Deixa as minhas mãos vazias tocarem o teu nome e os meus dedos nascerem na tua pele…murmúra nos meus lábios a tua ausência e desenha na tua lembrança a minha dor.
Não te deixes morrer em mim e não me leias porque a saudade dói…o vazio magôa e as palavras são ecos perdidos…cinzas de sonhos esquecidos por dentro do tempo…rugas amordaçadas no peito…lágrimas que calam todos os silêncios e vestem todos os instantes.
Deixa-me chamar-te no silêncio da noite…nas horas que não existem…no Outono que perdura…no Inverno que me gela.
Deixa-me chamar-te como se eu ainda fosse Primavera e a eternidade tocasse as minhas mãos.

Escrito por : Rosa Maria

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